As
errôneas filosofias de uma politizada pornochanchada
MaicknucleaR
Alô.
Mãe? Sou eu. Tudo bem?... Eu mãe: seu filho. Lembra? Não
vai me dizer que a senhora está entupida de barbitúricos novamente...
Ah, tá. Entendi... (...) Nada demais. Liguei apenas para dizer que hoje
vou ser excêntrico. Sei lá, talvez eu siga a nova tendência
do bimestre e me torne um vocalista de banda... Excêntrico, mãe.
Excêntrico... Como assim: como assim?!: Hoje vou alugar um quarto de hotel
e quebrar tudo que tiver lá dentro após ter feito uma orgia depravada
com três garotas de quatorze anos, alugadas por quinze reais, em algum cartão
postal da estonteante e magnífica costa do Brasil... Por quê? Porque
eu quero ser igual aos meus ídolos, oras... Sim, mãe. Quero ser
igual: entupir o cu com heroína, jogar uma TV do sexto andar de um hotel
caríssimo, tomar vinte e cinco drinques, me abarrotar de sanduíche
de bacon e dormir de lado na banheira. Só pra ver o que acontece. Não
é legal, mãe?... Como assim: não tenho meus próprios
propósitos ou ideais?! (aquela vez eu cortei meus pulsos por livre arbítrio)...
Não tenho culpa se você tomou lsd e rolou na merda da lama de Woodstock
enquanto carregava a merda do futuro do país nesse ventre que fora prostituído
por qualquer baseado ou ideais quiméricos. Você seguiu as influências
de sua geração, baby. Estou seguindo à minha e pronto. Não
me culpe e nem me cobre. (...) Mas deixe-me falar... Depois. Caso eu sofra uma
overdose. A senhora vende os direitos da história para Róliude e
fica milionária. Ai vai poder fazer aquela lipoaspiração
que você tanto queria. E eu ganho a merda da posteridade e um monte de adolescentes
idiotas vestidos de preto com minha cara na estampa da camiseta. Buzziness. Que
tal?... Ah, que bom que você concorda, mãe! Quem sabe até
sobre um dinheiro para a senhora colocar uns duzentos miligramas de silicone e
cílios postiços. Quem sabe?... (...) ...Oi... Fui atender a campainha.
Mas então. Quer saber, mãe? O negócio mesmo é ser
um Rebelde. Deixa o resto para o Guns And Roses... (...) As notícias mais
importantes das últimas 24 hs? Ah. Nada demais, mãe. Apenas diga
às crianças aí da Etiópia, que aqui no Brasil, nós
estamos preocupados com o novo tom "marrom-salsicha" da cor do cabelo
de Vanessa Camargo... Sim, mãe. Que tal: "marrom-salsicha"?...
Ah. E diga para elas não se preocuparem com a fome ou Aids, pois aqui estamos
todos ansiosos por saber quem será a próxima affair do Ronaldinho
Porpeta. Que fome que nada. Fome?! Hã! Quem liga pra fome?... Que nada,
mãe. É frescura desses moleques. Você não viu que tem
até alguns meio barrigudinhos. É golpe turístico, assim como
dizer que o Rio de Janeiro continua lindo... (...) Não sei, viu, mãe.
Você sabe que eu tenho a capacidade cerebral de um ornitorrinco alcoólatra
e devido a esse vazio de proporções astronômicas dentro da
minha caixa craniana, sou obrigado a preencher a geladeira de minha futilidade
com programas de fofoca, as prestações do baú da felicidade
e revistas de lambaeróbica... (...) ...que porra de Iraque, mãe?
Voltou a fumar crack, porra? Eles que se fodam no escurinho do cinema com a Bush
family. Problema deles. Nós somos do Brasil, porra. Nós somos filhos
desta insólita, devassa e retrógrada nação. E todos
temos o direito nati-vitalício de nos tornarmos "celebridade-instantânea".
Todos nessa terra de "sinhô-coroné", temos direito a, no
mínimo, uma capinha de Playboy e uma participação no arquivo
confidencial do Faustão, pois somos todos frutos da imagem proibida por
um testamento que eu não vi... Sim, mãe. Mandou bem! Reality shows
também contam. Imagina a gente lá. Dentro da piscina. Naquela puta
mansão. Enquanto cento e oitenta milhões de (mentalmente) arrombados
idolatram o nosso vácuo subjetivo. Moral e espiritual... (...) ...Um exemplo
mesmo é minha irmã. O plano dela é sair com todos os jogadores
de futebol da federação paulista. Chupar o pau de todos pagodeiros
(funkeiros) loiros. Dar pra todos dramaturgos, cineastas, atores e apresentadores
de TV, só pra tentar algumas (pequenas) participações em
programas humorísticos decadentes ou programas de domingo que exploram
mais as mulheres do que nossos renomados (e até premiados) traficantes
internacionais de rachas nacionais (e vamos falar o brasileiro claro: ali, no
"meiozinho", muitas - porém minoria - pagam para serem exploradas
- da mesma forma que os filhos da "América Global" se vendem
aos Coiótes milionários que moram no topo da colina)... (...) ...E
vamos falar a real, vai. Até que o plano dela não é de todo
o mal. Afinal: os astros são "bons partidos". Isso sim é
uma menina de valores e respeito - em outras palavras: mais um protótipo
de paquita turbinada inflável -, que no futuro tentará salvar sua
carreira fazendo um filme pornô de baixa qualidade e participando de programas
de baixo calão. Realmente: um doce de menina. O orgulho da vovó.
O medo de todo pai. O fast-food de algum desalmado. O sonho escarrado de toda
mãe brasileira.
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