Este
texto tem por escopo identificar a presença da violência nas cantigas
infantis tradicionais, entenda-se por tradicionais as cantigas que são
anteriores à cultura de massa (mídia), que tiveram origens nas brincadeiras
de roda, no convívio em grupo. Essas cantigas que são aparentemente
ingênuas, mas que em uma análise mais acurada percebe-se que o "texto"
é rico em imagens violentas. Essas cantigas infantis não foram produzidas
por crianças, mas sim para crianças, por adultos imersos em um contexto
sócio-histórico-cultural, sendo o adulto o espelho da sociedade
em que vive, na sua produção cultural não poderiam deixar
de estar presente a violência, o preconceito, o moralismo, o amor, a esperança,
solidariedade, mas estes três itens finais não serão abordados
neste texto. Em que medida essas cantigas realmente representam o mundo infantil,
se é que realmente o faz? A infância não é um momento
apenas de formação - como a história vem nos ensinando -
mas de "adestramento" para as perspectivas ideológicas da família.
E o que viria a ser este ser infantil em oposição ao ser adulto?
Para delimitar está diferenciação será utilizada a
distinção feita por Palo e Oliveira (2001).
Falar
à criança, no Ocidente, pelo menos, é dirigir-se não
a uma classe, já que não detém poder algum, mas a uma minoria
que, como outras, não tem direito a voz, não dita seus valores,
mas, ao contrário, deve ser conduzida pelos valores daqueles que têm
autoridade para tal: os adultos. São esses que possuem saber e experiências
suficientes para que a sociedade lhes outorgue a função de condutores
daqueles seres que nada sabem e, por isso, devem ser-lhes submissos: as crianças.
(p. 6)
Como se nota, a criança é uma "tábula" rasa onde
se pode imprimir qualquer valor, cultura, moral, ideologia, cabendo a elas o papel
de receptoras passivas. Ao adulto, ser em ação, cabe-lhe a função
de educar "moldar" a personalidade da criança, inserindo-a no
mundo adulto repleto de regras preestabelecidas, valores, preconceito, violência.
"...
E nos que viemos de outras terras de outro mar temos pólvora,
chumbo e bala nos queremos e guerrear traz fogo traz fogo
traz fogo de arrasar..." (Peixinho do mar)
As cantigas presentes nesta análise são consideradas infantis por
tratar os temas de uma forma lúdica, por ter melodia e ritmo fáceis,
e apresentar uma seleção lexical simples. O discurso da violência
e feito de uma forma lúdica, introduzindo as crianças no universo
adulto, no qual a violência faz parte do cotidiano. No artigo de Vasconcelos
(2001) essa visão pedagógica do lúdico está bem definida.
O discurso comunicacional da infância tem como espaço, entre outros,
a presença precípua do lúdico, do brinquedo. Piaget, neste
sentido, como Vygotsky e Wallon, foi unânime em privilegiá-lo, para
entender a infância e seu processo de conhecimento e comunicação.
Neste espaço de conjunções variadas do brincar, estão
as trocas simbólicas, a produção de semiose, do conhecimento
e da cultura, nos processos de significação e ressignificação.
(p. 125)
As cantigas presentes nessa análise fazem parte do CD:
Quem canta seus males espanta V.2, coordenado por Theodora Maria Mendes de Almeida.
Nas cantigas infantis "não importa muito o que é dito",
mas sim o como é dito: a cantiga infantil tem um "apelo", chamado
para a brincadeira, divertimento, nelas a melodia e o ritmo são um convite
ao brincar, e esse brincar tem como propósito "educar" a criança,
introduzindo-a no universo adulto.
"Toda violência é institucionalizada quando admito explícita
ou implicitamente, que uma relação de força é uma
relação natural - como se na natureza as relações
fossem de imposição e não de equilíbrio."
(Nilo Odalia)
O conceito de violência de Yves Michaud (2001) permeia essa análise.
Para o autor, a violência pode assumir duas formas distintas: os estados
de violência e os atos de violência. Os atos de violência correspondem
ao distanciamento de indivíduos ou da sociedade das normas jurídicas
e morais preestabelecidas, causando danos a uma ou a várias pessoas em
graus variáveis, seja em sua integridade moral ou física, seja à
propriedade privada ou em suas participações simbólicas e
culturais. Enquanto nos estados de violência os indivíduos sobrevivem
à margem de seus direitos. Cabendo ao estado e a seus representantes o
papel de agentes da violência, seja ela psicológica ou moral, sobre
seus inimigos. Consideram-se como inimigos todos aqueles que se opõem a
um governo antidemocrático, e é sobre esses indivíduos que
recairá a ira do estado e de seus dirigentes.
A
violência é portanto assimilada ao imprevisível, à
ausência de forma, ao desregramento absoluto. Não é de espantar
se não podemos defini-la. Como as noções de caos, de desordem
radical, de transgressão, ela com efeito envolve a idéia de uma
distancia em relação às normas e às regras que governam
as situações ditas naturais, normais ou legais. Como definir o que
não tem nem regularidade nem estabilidade, um estado inconcebível
no qual, a todo momento, tudo (ou qualquer coisa) pode acontecer? Como transgressão
das regras e das normas, a "violência" deixa entrever a ameaça
do imprevisível. Num mundo estável e regular, ela introduz a desregramento
e o caos. A palavra "violência" é então como a denominação
de uma situação de caos absoluto, comparável ao estado de
natureza de Hobbes, onde reina a guerra de todos contra todos. ( pp. 12-13)
O conceito de discurso empregado neste texto corresponde ao mesmo empregado no
livro de Ana Rosa Ferreira Dias (1996).
Discurso
é o resultado da articulação de uma pluralidade mais ou menos
grande de estruturações transfrásticas, em função
das condições de produção , articulado com elementos
ideológicos. Para ele,(Maingueneau) o discurso tanto pode estar ligado
a um único enunciado como a muitos, pois o que importa considerar não
é o fenômeno da extensão, mas o de sua natureza. O essencial
são os elementos pragmáticos, advindos da situação
do discurso, seu caráter retórico, a intenção de um
falante influenciar seu interlocutor. (p. 105)
Violência e etimologia
"Violência
vem do latim violentia, que significa violência, caráter violento
ou bravio, força. O verbo violare significa tratar com violência,
profanar, transgredir. Tais termos devem ser referidos a vis, que quer dizer força,
vigor, potência, violência, emprego de força física,
mas também quantidade, abundância, essência ou caráter
essencial de uma coisa. Mais profundamente, a palavra vis significa a força
em ação, o recurso de um corpo para exercer sua força e portanto
a potência, o valor, a força vital. A passagem do latim para
o grego confirma este núcleo de significação. Ao vis latino
corresponde o is homérico, que significa músculo, ou ainda força,
vigor, e se vincula a bia, que quer dizer a força vital, a força
do corpo, o vigor e, conseqüentemente, o emprego da força, a violência,
o que coage e faz violência. Os dicionários de francês
contemporâneo definem a violência como: a) o fato de agir sobre alguém
ou de fazê-la agir contra a sua vontade empregando a força ou a intimidação;
b) o ato através do qual se exerce a violência; c) uma disposição
natural para a expressão brutal dos sentimentos; d) a força irresistível
de uma coisa; e) o caráter brutal de uma ação. Esses
sentidos diversos de violência indicam duas orientações principais:
de um lado, designa fatos e ações; de outro, designa uma maneira
de ser da força, do sentimento ou de um elemento natural - violência
de uma paixão ou da natureza".
As definições do direito
"O
direito fornece definições estritas. Em direito penal, todos os
atentados à pessoa humana não são chamados violências.
O homicídio voluntário constitui um caso à parte, como o
estupro. As violências propriamente ditas são consideradas nos artigos
309, 310 e 311 do Código Penal na rubrica "Agressões, violência
e vias de fato". A definição Jurídica de violência
sublinha o vinculo entre violência e emprego da força física
seguida de danos físicos duradouros. Todavia a evolução do
direito desenvolveu-se no sentido de ampliar a incriminação: "Às
agressões propriamente ditas que compreendem apenas as lesões causadas
por um contato brutal com um agente exterior acrescentaram-se aspectos internos
(doenças provocadas, danos físicos) que não exigem violência
exercida sobre o próprio corpo da vitima. Daí a substituição
da noção utilizada até agora de violências, agressões
e ferimentos pela noção de violências e vias de fato, mais
imaterial".
Outras definições de violência
O sociólogo H.L Nieburg (apud. Michaud, p. 10) define a violência
como "uma ação direta ou indireta, destinada a limitar, ferir
ou destruir as pessoas ou os bens". Por sua vez, H. D. Graham e T. R. Gurr
escrevem: " a violência se define, no sentido estrito, como um comportamento
que visa causar ferimentos às pessoas ou prejuízos aos bens. Coletiva
ou individualmente, podemos considerar tais atos de violência como bons,
maus, ou nem um nem outro, segundo quem começa contra quem".
A
relação com o mundo passa pelas imagens
A mídia necessita de acontecimentos, pois ela vive do sensacional, do espetacular.
A violência, com toda carga de dramaticidade e ruptura que traz consigo
é por princípio um alimento privilegiado para a mídia, quanto
mais violenta, sangrenta, drásticas e atrozes forem os acontecimentos,
mais atenção essas noticias atrairão. As pessoas que
se transformam em noticiário por terem sido vitimas de atos de violência,
se tornam emblemas de uma sociedade que vive sobre o sentimento de violência
constante, nesse estado de violência, onde todos podem ser a próxima
vitima. A violência acaba por se tornar uma companheira constante, no caso
específico do Brasil o estado de violência é a norma. Essa
violência emana do Estado com sua política de exclusão, perpassa
toda a sociedade gerando uma tensão constante.
"O ato de fala é algo visceral ao ser humano. Anterior À
escrita, guarda muito do "mimetismo": aquele que Fala tenta mostrar
de forma imediata ao interlocutor o objeto de sua fala, através de
vários canais simultâneo: palavra, entoação, expressão
corporal." (Palo e Oliveira, 2001)
Sendo a violência um sentimento e um ato constante na vida do povo brasileiro,
ela não poderia deixar de está presente em suas manifestações
culturais. A violência transformada em algo lúdico, em brincadeira
de roda, em cantigas, aproxima as crianças não da violência,
mas sim do sentimento de naturalidade diante de atos e estados de violência.
Dessa forma a violência é incorporada pela criança como algo
natural, corriqueiro, como parte integrante da vida do brasileiro.
Segue-se as cantigas e suas respectivas análises.
ATIREI O PAU NO GATO
Atirei
o pau no gato-to Mas o gato-to Não morreu-reu-reu Dona Chica-ca
Admirou-se-se Do berro, do berro Que o gato deu Miau.
A criança que desde a tenra idade é exposta às mais diversas
formas de violência, inclusive nas suas brincadeiras cotidianas, possivelmente
passa a incorporar esse discurso e sentimento de violência não como
algo nocivo à vida em comunidade, possivelmente também não
incorpore esse discurso e sentimento de violência como um impulso à
violência, mas tão somente como estado natural, no qual agredir e
ser agredido torna-se um ato normal, socialmente aceito. A cantiga - Atirei
o pau no gato, possivelmente não estimule a criança a maltratar
os animais, mas aproxima a criança, de uma forma lúdica "agradável",
do ato de violência, no qual o "Eu" que atira o pau no gato não
tem nenhum motivo aparente, e se admira pelo fato de o bichano não ter
morrido, essa admiração está presente na utilização
da conjunção adversativa - mas -, essa conjunção expressa
o desejo de quem atirou o pau no gato, ou seja, ele deveria ter morrido, esperava-se
que o gato morresse. A ação de atirar o pau no gato não
tem a menor importância, pois o que fica enfatizado para as crianças
são: as repetições finais de cada verso. O importante é
a melodia e o ritmo, a violência só aparece nessa cantiga porque
ela é o produto de um momento sócio-histórico-cultural no
qual o ato e o estado de violência fazem parte do dia a dia dessa sociedade.
Dessa forma a criança é convidada para adentrar em uma sociedade
na qual a violência é quase tida como natural, não fosse algumas
"dona Chica" voltarem-se contra esse estado e sentimento de violência
constantes.
SAMBA
LÊ LÊ
Samba
lê lê Ta doente Ta com a cabeça quebrada Sambe
lê lê Precisava É de umas boas palmadas Samba,
samba, samba ô lê lê Pisa na barra da saia ô lá
lá
Na cantiga Samba lê lê ressalta-se a punição, o castigo,
o ato de violência, embora Samba lê lê esteja doente, com a
cabeça quebrada, possivelmente por ter feito alguma travessura, resta-lhe
como punição umas "boas" palmadas. As palmadas são
tidas como uma forma "boa" de educar uma criança. Nessa cantiga
a violência contra a criança é vista como um instrumento de
educação infantil, pedagógico, que tem por finalidade inserir
a criança no complexo universo adulto cheio de regras e punições.
A oralidade é uma marca constante dessas cantigas: em lugar de está
usa-se ta, a pronuncia e a escrita tomam uma única forma.
PEIXINHO
DO MAR
Quem
te ensinou a nadar Quem te ensinou a nadar
Foi,
foi marinheiro Foi os peixinhos do mar Foi, foi marinheiro Foi os
peixinhos do mar
E
nós, que viemos de Outras terras De outro mar
E
nós, que viemos de Outras terras De outro mar
Temos
pólvora, Chumbo e bala Nós queremos É guerrear
Temos
pólvora, Chumbo e bala Nós queremos É guerrear
Traz
fogo Traz fogo Traz fogo de arrasar
Na cantiga Peixinho do mar o discurso lúdico da violência chega ao
auge nos versos: "Temos pólvora, chumbo e bala, nós queremos
é guerrear". A cantiga inicia-se com uma comunhão entre o ser
humano e o peixe, pois este vem ao auxílio do Homem ensinando-o a nadar,
em oposição à união entre o Humano e o Animal vem
o "diferente", "navegador de outras terras, de outro mar".
É no encontro entre os diferentes, ser humano de regiões diferentes,
paises diferentes, culturas diferentes, que se encontra o perigo. Teme-se o que
não se conhece, a descoberta do outro, do não-eu, como saída
para o encontro entre cultura diferentes a cantiga não sugere a tolerância,
mas sim a guerra, o ato de violência, o estágio Máximo de
violência entre os seres humanos. Tudo o que não é igual,
é nocivo e deve ser combatido. No verso final a intolerância é
brindada com um massacre: "traz fogo, traz fogo, traz fogo de arrasar".
A oralidade é resgatada na inadequação da conjugação
verbal: "foi os peixinhos do mar", quando o correto seria, foram os
peixinhos do mar. O "erro" de conjugação verbal não
prejudica o entendimento, e sim contribui com a melodia.
BOI DA CARA PRETA
Boi,
boi, boi Boi da cara preta Pega essa menina que tem medo de careta.
A "pedagogia do medo" é uma das marcas constantes nas cantigas
infantis, cantigas produzidas em um universo adulto, destinadas às crianças
com o objetivo não somente de divertir, mas também de transmitir
valores, educar, amedrontar, dessa forma se faz presente o estado de violência.
Em todo ato de comunicação humana (discurso) está subjacente
uma ideologia: O boi da cara preta punirá a menina que tem medo de careta,
assim como Deus punirá aquele que não andar segundo os seus mandamentos,
o pai punirá o filho que não obedecer às suas ordens, o estado
punirá o cidadão que não cumprir com os seus deveres, o patrão
punirá o empregado que não cumprir com sua obrigação.
Haverá sempre um boi da cara preta perseguindo e amedrontando esse ser
(menina), desde a mais tenra infância até os seus últimos
dias de vida.
MARCHA
SOLDADO
Marcha
soldado Cabeça de papel Quem não marchar direito Vai
preso pro quartel Quartel pegou fogo Polícia deu sinal Acorda,
acorda, acorda Bandeira nacional
O discurso é o veículo da ideologia, é por meio dele que
se propagam as normas, a cultura, os valores, as crenças, etc., na cantiga
Marcha soldado, o verbo marchar não exprime um pedido, mas sim uma ordem:
marcha você (soldado), pois quem não cumprir as ordens será
castigado, preso. Mas quem seguir fielmente às ordens dadas não
será punido, também não será premiado, será
tão somente um cumpridor das ordens, um cidadão obediente. Quem
é o sujeito que dá a ordem: marcha! Será a voz do inconsciente
coletivo que prega a obediência? Será a voz das instituições?
A voz da família, a voz das autoridades, a voz de Deus? Uma das formas
de impor o respeito é através do medo, respeita-se não por
educação, mas tão somente por temer um castigo futuro, como
se temer e respeitar fossem sinônimos.
A cantiga Marcha soldado é um convite ao brincar, ao lúdico, mas
deixa como exemplo simbólico à criança que: aquele que for
desobediente será castigado, fica implícito que a obediência
é a norma social.
"Num
momento de lucidez, Winston percebeu que ele também estava gritando com
os outros e batendo os calcanhares violentamente contra a travessa da cadeira.
O horrível dos Dois Minutos de Ódio era que embora ninguém
fosse obrigado a participar, era impossível deixar de se reunir aos outros".
(George Orwell - 1984)
Uma das conclusões a que chegamos é que, a criança não
é vista como uma classe social, pois não detém nenhum poder.
Essa criança não tem direito a voz, não dita seus valores,
é subestimada, sobra-lhe apenas a posição de minoria social,
à qual recai todas as imposições da sociedade adulta, que
assumiu como um de seus deveres guiar a criança, desde a infância
até a maior idade, pela sociedade.Ela é considerada como um ser
em formação, ou como queiram outros, como uma "tábula
rasa" na qual se pode imprimir qualquer valor: moral, ideológico,
religioso. O papel das cantigas nesse processo de inserção da
criança no universo adulto foi entendido como uma forma de, por meio da
brincadeira, do lúdico, aproximar a criança dos valores sócio-cultural-histórico.
A cantiga propicia um momento de troca simbólica, momento esse no qual
a criança se "apropria ou é invadida" pelos valores do
mundo que a cerca. Muito se discutiu, e se discuti sobre a influência
da mídia no imaginário infantil, se o excesso de violência
na televisão e nas letras de músicas contribui para o aumento da
violência na sociedade, esse não foi o nosso propósito, limitamo-nos
a analisar o discurso presente nas músicas e de que forma os valores sociais
eram transmitidos nessas cantigas.
"...
o poder simbólico é, com efeito, esse poder invisível o qual
só pode ser exercido com a cumplicidade daqueles que não querem
saber que lhe estão sujeitos ou mesmo que o exercem" ( PierreBourdieu
- O Poder Simbólico )
A conclusão foi que: antes de interter as cantigas têm como propósito
educar, dentre as formas de educação presentes nas cantigas analisadas
estavam presentes o discurso repressor; que tem por objetivo criar um cidadão
obediente, o discurso da intolerância; que não vê no outro
individuo um igual, mas sim uma ameaça, o discurso do medo; que confunde
o respeito com o temor, o discurso da punição; que visa convencer
pela forca, pelo castigo. Como podemos ver, a aparente ingenuidade das cantigas
infantis estão apenas na superfície, por "trás"
das cantigas alegres, festivas, que convidam as crianças para as brincadeiras
de roda, para os pulos e gritos, há os valores sócio-cultural-históricos,
que nem sempre são os melhores, entenda-se por melhor os valores de visam
e igualdade, a tolerância, a liberdade, a paz, o amor, a compreensão,
o respeito.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
BOURDIEU,
Pierre. (2002). O Poder Simbólico. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil
DIAS, Ana Rosa Ferreira. (1996). O discurso da violência. São Paulo,
Cortez. MICHAUD, Yves. (2001). A violência. São Paulo, Ática.
ODILA, Nilo. (1983). O que é violência. São Paulo, Brasiliense.
PALO, Maria José e OLIVEIRA, Maria Rosa. (2001). Literatura infantil -
voz de criança. São Paulo, Ática. VASCONCELOS, Paulo
A. C. (org.). (2001). Comunicação e imaginário na cultura
infanto-juvenil. São Paulo, Zouk.