Em
1997, num artigo intitulado A
história o absolverá?,
escrevi que a maioria dos eventos
e publicações dedicados
ao trigésimo aniversário
do assassinato de Che apresentava
Guevara como a alma pura
da revolução
e Fidel como um anjo mau.
Claro que isto não vale
para as publicações
conservadoras. Mas, entre os setores
progressistas e de esquerda, era
e continua sendo fácil
encontrar afirmações
como as citadas no supracitado
artigo: Che expunha claramente
suas convicções
marxistas, enquanto Fidel só
as teria revelado depois de consolidada
a revolução. Um
propôs caminhos heterodoxos
para a economia cubana, o outro
teria apadrinhado o planejamento
centralizado e burocrático
de tipo soviético. Che
abandonou o cargo de ministro
para ajudar na criação
de mil Vietnãs,
enquanto Fidel teria se acomodado
às exigências da
política internacional
da URSS. Alguns chegam a sustentar
que, enquanto Guevara morreu combatendo,
Castro só teria estimulado
a aventura suicida
do amigo e companheiro, negando
qualquer ajuda no momento fatal,
para se livrar de uma presença
incômoda.
Em
1997, como em 2008, a lista de
ataques a Fidel segue tão
longa quanto questionável,
enquanto Che recebe um tratamento
aparentemente mais favorável.
No artigo escrito há 10
anos, apontei como principal causa
disto a tentativa, promovida
pelo establishment cultural,
de despolitizar e esterilizar
a figura do Che coisa impossível,
ou bem mais difícil de
fazer, com Fidel.
Outra
causa citada por mim diz respeito
as características pessoais
de Che, ou pelo menos a
imagem que muitos temos dele.
Lembrei, também, que a
carreira política
de Che foi curta demais, e vivida
nos momentos heróicos da
revolução a
guerrilha cubana, os primeiros
anos após a tomada do poder,
duas outras guerrilhas. Já
Fidel dirigiu a institucionalização
da revolução, a
fase das desilusões, dos
compromissos, das concessões.
Ademais,
Fidel já era em 1997 e
hoje é muito mais um sobrevivente.
Assistiu ao desaparecimento físico
de todos os demais grandes
líderes das revoluções
socialistas do século.
Sobreviveu à crise do bloco
soviético e ao período
especial. É, ademais, um
duro crítico do império
norte-americano e do neoliberalismo,
o que o torna ainda mais demodé
aos olhos de muita gente.
Uma
vez, frente a um tribunal batistiano,
Fidel proferiu um discurso, publicado
posteriormente com o título:
A história me absolverá.
Quase 55 anos depois, aposentado
da presidência do Conselho
de Estado, Fidel está de
novo sub judice. A história
absolverá Fidel, mais uma
vez?
As
quatro mutações
Fidel
Castro nasceu em 1926. Seu pai
era proprietário de uma
finca de 10 mil hectares,
situada no Oriente cubano, região
de forte tradição
revolucionária. Fidel fez
parte de seus estudos numa escola
jesuíta, depois formou-se
advogado. Na universidade, participou
ativamente do movimento estudantil
e da política cubana, como
militante da ala esquerda do Partido
Ortodoxo.
Fidel amadureceu num período
histórico rico em influências:
Guerra Civil Espanhola, Segunda
Guerra Mundial, a ascensão
da URSS à condição
de potência, o início
da Guerra Fria, o
Bogotazo, o golpe na Guatemala.
Mas o que parece ter empurrado
Fidel para uma militância
nitidamente revolucionária
--no sentido político
desta palavra-- foi o duplo impacto
do suicídio de Chibas (1951)
e do golpe de Batista (1952),
que reduziram muito as possibilidades
eleitorais da oposição
democrática cubana.
Politicamente, Fidel era então
um nacionalista e um democrata
radical, com fortes ligações
com os setores populares e médios
de Cuba. Há controvérsias,
mas mesmo que os conhecesse bem,
suas referências não
eram Marx ou Lenin, mas sim José
Martí -- autor intelectual
do assalto ao Quartel Moncada.
Foi com essa bagagem ideológica
que ele enfrentou o tribunal de
Batista, a prisão, o exílio
e organizou a invasão
de Cuba.
A partir daí, Fidel começou
a transformar-se em um revolucionário
social. O ponto decisivo dessa
mutação foi a guerrilha
--que encontrou sua principal
base social nos trabalhadores
rurais, e que correspondeu a estes
com um nível crescente
de radicalização
(aliás, esta é a
chave explicativa dos conflitos
internos ao M-26-7, durante a
guerrilha, e também da
crescente influência de
Che Guevara). A mutação
se acelerou no governo, no conflito
entre os interesses populares
e os setores burgueses e pró-norte-americanos.
E se completou na resistência
ao desembarque gusano-yankee
em Praia Girón.
Da mesma forma como A história
me absolverá foi a
peça maestra do
revolucionário político,
o discurso de Fidel em 16 de abril
de 1961, após a vitória
na Baía dos Porcos, é
a afirmação plena
do revolucionário social:
se tudo o que queremos fazer em
Cuba é socialismo, então
a revolução é
socialista...
A transformação
do revolucionário social
em comunista --no sentido dominante
que este termo tinha nos anos
60, ou seja, soviético--
é bem mais complexa. Por
um lado, as necessidades econômicas
e de defesa de Cuba, vis a
vis a proximidade de um inimigo
agressivo, empurravam o país
em direção ao guarda-chuva
soviético. Por outro lado,
a revolução cubana
desmoralizou muitos dos dogmas
do tipo de marxismo-leninismo
hegemônico no movimento
comunista da época.
Segundo este, os Partidos Comunistas
tinham por definição
um papel de vanguarda nas revoluções
socialistas --mas em Cuba o PSP
cumpriu um papel secundário,
e muitas vezes oposto às
necessidades revolucionárias.
Para o comunismo oficial,
a revolução em países
atrasados devia percorrer primeiro
uma etapa democrática-nacional-capitalista,
e só depois a socialista
--mas em Cuba as etapas
se confundiram num fluxo contínuo.
Para o senso-comum da maioria
dos comunistas, era impossível
fazer uma revolução
contra o Exército e nas
barbas dos Estados Unidos --e
em Cuba ocorreram ambas as coisas.
As diferenças continuaram
depois da tomada do poder --basta
lembrar os experimentos de política
econômica e as relações
internacionais. E persistiram
depois, quando Cuba já
se encontrava sob forte hegemonia
soviética --basta lembrar
o apoio cubano às guerrilhas
latino-americanas, para o desespero
da linha
pacífica predominante
nos partidos comunistas. Para
o bem e para o mal, Fidel nunca
foi o marxista-leninista
que as academias soviéticas
(e norte-americanas) desejariam,
como aliás descobriram
os setores do PSP que tentaram
se apoderar das ORI.
Vale lembrar o esforço
feito para emprestar a José
Martí a mesma estatura
de Lenin. Segundo os cubanos,
Martí teria se antecipado
ao revolucionário russo,
em duas questões fundamentais:
na análise do imperialismo
e na teoria do Partido. Em isto
sendo verdade, estaria mais do
que legitimada a raiz autóctone
da revolução e do
socialismo cubanos. Não
é preciso dizer o quanto
este tipo de formulação
destoa da hierarquia canônica
do marxismo de tipo
soviético.
Entre o Primeiro Congresso do
PCC (1975) e a debacle
do campo socialista,
passaram-se quinze anos. O desmanche
do bloco soviético impactou
a economia cubana, atingindo fortemente
um dos pilares da hegemonia comunista
na ilha: a relativa igualdade
social. Fidel tomou distância
dos soviéticos, demarcou
suas diferenças com as
reformas de Gorbachev e reforçou
o componente nacional de sua ideologia.
Num discurso proferido em 1986,
ele dirá que o marxismo-leninismo
é profundamente internacionalista
e, por sua vez, profundamente
patriótico. (Esta idéia,
bastante questionável do
ponto de vista teórico,
esteve presente em outros processos,
mas refletindo práticas
diferentes: na URSS, estimulou
o chauvinismo de grande potência;
na China, o isolacionismo; na
Albânia, a megalomania do
farol do socialismo;
em Cuba, um internacionalismo
militante e de massas.)
A
partir da segunda metade dos anos
80, centenas de articulistas de
direita ou de esquerda previram
que Fidel e o PCC teriam o mesmo
destino de seus congêneres
do Leste Europeu. Como os comunistas
cubanos teimavam em não
cair, a crítica mudou de
tom: o modelo castrista seria
responsável pela extrema
pobreza da maioria dos cubanos.
Críticos
mais sofisticados
dizem que o povo cubano experimenta
três malefícios:
a ditadura do PC, os resquícios
do modelo econômico soviético
e as reformas capitalistas adotadas
na última década.
Mais recentemente, cresceu a expectativa
de que Raul Castro, após
substituir Fidel, vai adotar em
Cuba um modelo chinês,
restando saber como isso poderia
ser feito numa pequena ilha tão
perto do monstro, sem as condições
materiais e históricas
existentes na região do
Império do Meio.
As
reformas capitalistas
Desde
a revolução russa
de 1917, há um debate sobre
a natureza das sociedades que,
ao longo do século vinte,
foram convencionalmente chamadas
de socialistas. As teorias são
variadas: despotismo oriental,
capitalismo de estado, estados
operários burocraticamente
degenerados, socialismo real,
socialismo de caserna...
A debacle da URSS e do
Leste Europeu trouxe elementos
novos para este debate. Entre
eles saber por quais motivos alguns
países --como a China,
Coréia do Norte, Vietnã
e Cubanão foram atingidos
pelo desmanche. E também
saber em que medida as reformas
econômicas, realizadas
nos últimos anos, alteraram
a natureza daquelas sociedades.
A idéia dominante, inclusive
em setores da esquerda, é
que esses países estariam
em marcha batida para alguma espécie
de capitalismo pleno, cabendo
aos Partidos Comunistas a direção
deste processo de restauração.
Outra idéia bastante forte
é a de que a contradição
entre Cuba e os Estados Unidos,
hoje, se daria no terreno nacional
(potência imperialista versus
soberania de um pequeno país)
e não mais no de projetos
societários contraditórios
entre si (comunismo/socialismo
versus capitalismo).
Independente da posição
que tenhamos acerca deste debate
mais geral, algumas conclusões
podem ser tiradas:
O modelo econômico adotado
por Cuba a tornou altamente dependente
do bloco dirigido pela URSS. Quando
este dissolveu-se, Cuba perdeu,
simultaneamente, o comprador de
seus produtos de exportação
e o fornecedor de suas importações.
Nessas circunstâncias, Cuba
teve que adotar medidas de restrição
do consumo; tais medidas foram
relativamente igualitárias,
preservando em especial as crianças
e atingindo também a liderança
do Partido e do Estado. O que,
em tempos neoliberais, não
foi pouca coisa.
Ao
mesmo tempo, Cuba teve que gerar
divisas (para importar) e substituir
importações (encarecidas,
ademais, pelo bloqueio norte-americano).
Fez isto enfrentando uma restrição
fundamental: a carência
de algumas riquezas materiais,
o que torna Cuba necessariamente
dependente do comércio
internacional, salvo um cavalar
avanço tecnológico,
que possibilitasse uma enorme
substituição de
matérias-primas.
O
caminho adotado para conseguir
moeda forte foi o
de abrir o país ao turismo
e às inversões estrangeiras.
O resultado foi a criação
de uma dupla economia: a economia
do peso e a economia do dólar
(hoje substituído, numa
hábil manobra financeira,
pelo CUC). Socialmente, isso significou
cavar um fosso de consumo,
de oportunidades-- entre os que
têm e os que não
têm moeda estrangeira (ou,
agora, CUCs).
O
resultado foi amplamente analisado,
desde o início, pelos dirigentes
do Partido Comunista. Raul Castro,
por exemplo, falou claramente
em corrupção, prostituição,
mão de obra especializada
recebendo em pesos muito menos
do que mão de obra não
especializada que recebe em moeda
estrangeira (ou seu equivalente
em CUCs).
Mesmo
os setores simpáticos a
idéia de que Cuba persevera
no caminho socialista reconhecem
que, a prosseguir a situação
vigente há quase 20 anos,
a desigualdade de rendas e de
consumo vai se transformar em
desigualdade de classes, numa
escala que a revolução
deixou para trás há
décadas. E um modelo econômico
que aprofunda desigualdades não
pode ser considerado socialista.
Ao longo das duas décadas
que vieram após o desmanche
do campo socialista,
a pressão norte-americana,
o nacionalismo, as políticas
sociais e a autoridade do PCC
e de Fidel impediram que a insatisfação
se transformasse em oposição
de massas contra o governo, evitando
assim que em Cuba pudesse prosperar
o mesmo ambiente que levou ao
desmanche da URSS e das democracias
populares do Leste Europeu.
Mas
desde então estava claro
haver um limite objetivo: se não
houvesse uma alteração
na correlação de
forças internacional, que
permitisse um desafogo econômico,
Cuba teria muitas dificuldades
para impedir o crescimento da
desigualdade e para conter seus
desdobramentos políticos.
Este
alteração veio,
no final dos anos 1990, com a
eleição de vários
presidentes de esquerda e progressistas
por toda a América Latina.
Isso criou um outro ambiente político
para Cuba. Os acordos com a Venezuela,
por sua vez, garantiram o suprimento
de combustível, entre outros
bens.
Foi
nesse contexto que a saúde
de Fidel deteriorou-se e ele resolveu
não concorrer à
presidência do Conselho
de Estado, sendo eleito em seu
lugar Raul Castro.
Cenários
A
política de Raul Castro
combina continuidade com mudanças.
Por um lado, mantém espaço
para atuação de
empresas capitalistas estrangeiras;
busca proteger as políticas
sociais; incentiva fortemente
o nacionalismo cubano; e combina
uma diplomacia pragmática
com o revigoramento de relações
com os partidos socialistas e
revolucionários de todo
o mundo.
Por
outro lado, vem adotando ou prometendo
uma série de medidas que,
vistas do ponto de vista econômico-social,
significam ampliar as possibilidades
de enriquecimento legal e de melhoria
das condições de
vida, por parte de alguns setores
sociais (como os pequenos produtores
rurais, trabalhadores de maiores
salários, pessoas que recebem
recursos de suas famílias
no exterior etc.).
Evidentemente,
há uma contradição
latente entre essas orientações,
bem como existem diferenças
no interior do PC, acerca de qual
rumo adotar. Mas, vistas de conjunto,
nos parece que a gestão
Raul Castro está
buscando algo clássico:
liberalizar, para elevar a produtividade
social, sem abrir mão das
políticas sociais e do
controle estatal. Noutras palavras:
um ataque combinado em múltiplas
frentes.
A maioria das análises
que prevêem, ainda hoje,
uma debacle cubana, não
levam em conta coisas como: o
componente nacional da revolução
cubana, que possui um peso tão
grande quanto o igualitarismo
social, na manutenção
da hegemonia comunista; a atitude
reacionária e imperialista
dos Estados Unidos; a lembrança
das condições políticas,
econômicas e sociais pré-revolução,
viva em setores da população;
a influência política
e ideológica de bom número
de protagonistas da fase heróica
da revolução; o
fato do PCCubano recorrer com
frequência à mobilização
de massas em apoio à sua
política. Mas, e isto é
o principal, aquelas análises
se esquecem ou minimizam um fato:
o padrão de vida e a educação
política da maioria do
povo cubano.
A
informação sobre
o que ocorre na maior parte da
América Central e Latina
mostra ao cubano médio
que destino lhe espera caso os
comunistas percam o poder. Essa
é uma das causas pelas
quais a insatisfação
popular não se transformou
em oposição de massas
coisa confirmada, frequentemente,
pelo resultado das eleições
cubanas e pelas manifestações
populares sob direção
do PC e do governo.
No
longo prazo, na ausência
de um novo ciclo de revoluções
vitoriosas, não se pode
desconsiderar a possibilidade
de a evolução das
condições econômicas
eliminar os aspectos socialistas
da sociedade cubana. Mas no curto
prazo, é a política
que decidirá o futuro da
ilha.
Na
política internacional:
a) pela continuidade ou não
do bloqueio, o que tem relação
direta com o resultado das eleições
presidenciais nos Estados Unidos,
marcada pra o final de 2008; b)
pela alteração ou
não da correlação
de forças, que tem se deslocado
em favor das forças defensoras
da integração latino-americana
e opositoras do neoliberalismo.
Na política interna, pela
capacidade dos comunistas manterem
um comportamento que não
os desmoralize como direção
nacional; pela manutenção
de um padrão mínimo
de igualdade econômico-social;
e principalmente pela existência
de válvulas de escape
políticas, que não
existiram ou não foram
toleradas em diversos países
do Leste Europeu.
E
Fidel?
Ao longo de sua vida, Fidel combinou,
latino-americamente, as características
de chefe de partido, chefe de
Estado e líder de massas.
Ele não é um teórico
--como foram vários outros
dirigentes das revoluções
socialistas ocorridas após
1917, Fidel foi basicamente um
agitador e organizador, não
um propagandista ou formulador.
Apesar disso, é provável
que seus textos, entrevistas e
discursos continuem a ser estudados
por muito tempo. Isto porque a
trajetória de Fidel, inclusive
sua oratória, é
a expressão individual
e concentrada da história
recente cubana. E Cuba foi o mais
longe que uma nação
atrasada pode ir: transformou
suas aspirações
nacionais, sociais e democráticas
em força motriz de uma
revolução anti-imperialista
e anti-capitalista. E mesmo hoje,
em que foi obrigada a retroceder
naquela estrada, Cuba continua
mantendo um nível de igualdade,
democracia e soberania muito superiores
aos de outros países que
experimentaram processos semelhantes.
Da mesma forma, Fidel foi o mais
longe que um democrata e nacionalista
radical poderia ir, nas condições
do seu tempo tornou-se um
comunista. E hoje, retrocedeu
sem abandonar a indignação
socialista.
Democrata
radical, revolucionário
político, revolucionário
social, comunista e nacionalista
--há um fio de continuidade
na trajetória de Fidel,
e este fio é a própria
história cubana. Castro
teve a sorte e o azar de sobreviver
a todas as fases da revolução,
e se mantém um forte carisma
entre seu povo e internacionalmente,
é porque a própria
revolução cubana,
e as conquistas políticas
e sociais que ela gerou, mantém
uma forte atração
sobre milhões.
Como estamos falando de uma pessoa
viva e ainda atuante, ainda que
de reduzido protagonismo, num
país a que a revolução
concedeu uma enorme projeção
internacional, é preciso
cautela: as últimas cenas
ainda estão por vir. Mas
uma coisa parece certa: o segundo
julgamento da história
sobre Fidel dependerá do
futuro da ilha, e as ações
de Cuba e em Cuba dependerão,
enormemente, do avanço
das forças socialistas
no resto do planeta.
Assim terminava o artigo que escrevi
em 1997: o isolamento internacional
é a morte da revolução.
Por isto, melhor que fazer previsões
é fazer uma aposta, que
envolve algo de sorte, algo de
torcida, mas sobretudo de ação.
E nossa aposta é que Cuba,
mas temprano que tarde,
receberá seu destacamento
de reforço.
Valter
Pomar é doutor em História
Econômica pela USP e secretário
de Relações Internacionais
da Comissão Executiva Nacional
do Partido dos Trabalhadores.