O
oráculo dobrado em Macbeth: visão/alucinação,
presente/futuro, história/sobrenatural
João
Cícero Bezerra
Introdução:
O oráculo em Macbeth
"Todas
as Bruxas _ Bom é mau e mau é bom"(SHAKESPEARE,
2004,20).
Na peça Macbeth, de William Shakespeare, acompanhamos
o desenrolar do paradoxo dessa fala dita em uníssono pelas
três bruxas. Tal fala - sentenciosa - persegue a própria
peça e expõe uma conclusão (antecipada e
paradoxal) do que será apresentado no desenvolvimento do
drama de Macbeth.
É
de extrema importância entender como se opera a questão
oracular nessa peça. Como essas três irmãs
participam do drama de Macbeth? Como percorrer a peça de
Shakespeare a partir da profecia (dobrada) desses três seres?
Antes
de entrarmos diretamente em Macbeth, precisamos situar
de uma maneira mais clara - ou, o quanto for possível -
a nossa questão: a questão oracular. É indiscutível
dentro da tradição dramatúrgica ocidental
a relação que o oráculo irá criar
com o ver. Para essa afirmação basta apenas fazer
menção a Édipo rei de Sófocles.
Em
Édipo rei, Sófocles cria três cenas
para os oráculos. A primeira se dá no presente e
as duas seguintes ocorrem no passado e em forma de rememoração:
uma de Jocasta e a outra de Édipo. É a partir da
profecia enigmática do oráculo - e/ou da lembrança
desta - que Édipo se vê. E é também
a partir do oráculo que a peça se desenrola e que
o público conhece Édipo.
Primeiro momento. Tirésias diz a Édipo que ele é
o assassino que está procurando:
"Édipo - (...) Aclara"!
Tirésias - Afirmo que és o matador buscado."
(SÓFOCLES, 2004,54).
Segundo Momento. Jocasta conta, despreocupadamente, a Édipo
sobre uma profecia que Laio havia recebido:
"Jocasta
- Não deixe que esse assunto te aborreça.
A arte da profecia - deves sabê-lo -
Não interfere nas questões humanas.
Sucintamente posso demonstrá-lo:
Outrora Laio recebeu um oráculo
- senão do próprio Apolo, de seus próceres
-,
Segundo o qual a moira lhe traria
A morte pelas mãos de um filho nosso.
Mas forasteiros - dizem - o mataram
Ladrões na tripla interseção de estradas.
Quanto ao menino, em seu terceiro dia,
Laio amarrou-lhe os pés pelos artelhos,
Mandou alguém lançá-lo a um monte virgem.
Assim frustrou-se Apolo: nem o filho
Assassinou o pai, nem padeceu o rei
- temor maior! - nas mãos do filho,
Tal qual fixara o vozerio profético." (SÓFOCLES,2004,72)
Terceiro
momento. Édipo relata, lembrando, que fugiu da profecia
do oráculo.
"Édipo
- Fui em sigilo a Delfos, de onde - flâmeo -
Foibos, sem dar-me o prêmio da resposta,
Me despediu, mas, num lampejo, disse-me
O que previa: miséria, dor, desastre.
Faria sexo com minha própria mãe,
Gerando prole horrível de se ver;
Seria o algoz de meu progenitor.
Ouvi, fugi da pátria; mensurava
Pelo estelário o quanto ela distava." (SÓFOCLES,2004,76)
No
desenrolar da peça, Édipo acaba descobrindo que
é o culpado. Por mais que Édipo fuja do oráculo,
a profecia o persegue. Ela é o seu destino. Antes mesmo
de Édipo nascer, a sua culpa já estava predestinada.
Ele descobre, por via dos oráculos, o seu crime involuntário.
O seu crime é o de nascer. É anterior a ele. É
o próprio crime de existir. Fugindo do oráculo,
Édipo foge de si. Foge da visão que o oráculo
lança sobre o seu parricídio e o seu incesto.
Ao
contrário de Macbeth, Édipo quer manter-se cego
ao oráculo. Enquanto Édipo foge, Macbeth persegue
a sua sorte má. E, conseqüentemente, Macbeth segue
o seu destino na latência de um olho arregalado. Macbeth
persegue, a todo tempo, as palavras das três irmãs.
Persegue ao ponto de ultrapassá-las. No final da peça,
assistimos Malcom, o filho de Duncan, ser coroado, e não
Fleance, o filho de Banquo. Esse fato deve nos sugerir que as
profecias das bruxas não eram tão seguras e/ou,
que, em parte, elas são ultrapassadas por Macbeth. É
Macbeth quem constrói a sua própria tragédia,
na medida em que ele opta por interpretar as profecias das bruxas.
Se
tem sido interpretado que Édipo já tinha o seu destino
traçado antes de seu nascimento, e por conta desse destino
maior e involuntário ele se vê diante de sua tragédia,
o que ocorre com Macbeth é da ordem do voluntário.
Macbeth enfrenta o paradoxo da visão e não da cegueira.
É na exacerbação da visão que Macbeth
torna-se cego. Macbeth cega-se de tanto ver. Cega-se porque começa
a ver a desrazão e o desvario. Ele quer entender o paradoxo
lançado pelo sobrenatural. Busca certificar-se de que pode
- como o intérprete dessas vozes oraculares - controlar
o seu próprio destino. É pelo seu desejo de autocontrole
que Macbeth se perde. Ele deseja acreditar que é impossível
uma floresta se mover. E, também, deseja acreditar que
é impossível existir um homem que não seja
parido de mulher. Sua obsessão em ficar acordado impede-o
de ver os meandros oraculares. Impede-o de ver o conotativo. Ao
avesso de Édipo, ele assistiu o seu crime. Em nenhum momento,
Macbeth acreditou ser um inocente. Sua tragédia é
consciente.
I
ato: a profecia dobrada e o tempo do futuro (por vir/ou o porvir)
"Macbeth se fixa nesse momento de crise, um momento que parece
isento do movimento normal do tempo, quando o futuro é
atulhado no presente." (KERMODE, 2006,295).
A peça inicia-se com as três irmãs. A primeira
vez que o nome de Macbeth é dito na peça é
dito por uma delas. Elas dizem:
"Bruxa
1: Onde? /
Bruxa 2: A charneca é o lugar./
Bruxa 3: Para Macbeth encontrar." (SHAKESPEARE, 2004,20)
1
É
de grande importância perceber que as Bruxas vão
atrás de Macbeth. Elas entregam para o general o conteúdo
profético que caberá a ele desenrolar. Nesse primeiro
momento, Macbeth não vai atrás da profecia. E, mais
adiante na peça, no quarto ato, quando ele for atrás
das bruxas, irá para saber o seu futuro; não se
preocupará, como no caso de Édipo, em conhecer o
seu passado. Macbeth está preocupado com o seu vir a ser.
Em
nenhum momento, as bruxas disseram a Macbeth que ele mataria o
Rei Duncan. A sua decisão é voluntária. Na
verdade, há o efeito de persuasão de Lady Macbeth
sobre o seu marido. Porém, interpretar a ação
de Macbeth apenas pela indução de sua esposa não
explica a desgraça que ocorre no final da peça.
No último ato, Macbeth já nem se importa com a morte
de sua esposa. Existem dobras que Macbeth não entende.
Ele quer seguir adiante. Quando dizemos que existem dobras em
Macbeth, é porque a profecia que Macbeth carrega é
dobrada. Ela é para ele e é para Banquo. Ela será
boa e ruim. E ela é interpretada por ele e por sua esposa.
Nesse mundo de dobras, Macbeth quer o vir a ser. É no vir
a ser que ele encontra a sua desgraça.
All
Peace! The charm's wound up. 2
Antes de Macbeth e Banquo entrarem, foi essa a última fala
das três irmãs. Essa fala se refere ao conteúdo
que sai do caldeirão, ao vento do feitiço que sobe
do caldeirão. Quando vemos essas bruxas dizerem isso na
peça, entendemos que há a produção
de uma relação de metalinguagem com o que sai do
caldeirão e o que vai se desdobrar, como encantamento,
na peça. As bruxas, em Macbeth, têm grande significado
metafórico para a ação da peça. Mais
que elementos do sobrenatural, as três irmãs são
modos de construção para a cena. No início
da peça, elas dizem o nome do protagonista (e da peça).
E, quando falam do encanto que sai do caldeirão, anunciam
o encantamento que perpassará toda a fábula da peça.
Elas anunciam com essa fala a imagem do ar denso que será,
várias vezes, recorrida durante a peça.
"B.
1- Salve, Macbeth; oh salve. Thane de Glamis!
B. 2 - Salve Macbeth; oh salve, Thane de Cawdor!
B.3-Salve Macbeth; que um dia há de ser rei!"(SHAKESPEARE,
2004,26)".3
A fala das três irmãs segue uma seqüência
temporal que é a de um presente (que já é
passado na peça), a de um futuro próximo (que na
verdade já se trata de um presente, é um presente
não conhecido por Macbeth) e um futuro indeterminado. "Thou
Shalt be King Hereafter", poderia ser traduzido, literalmente,
por "Vós deveis ser rei daqui em diante" ou "Vós
deveis ser rei para o futuro". Essa frase pode ser
entendida como um futuro próximo ou um futuro mais distante.
É um futuro indeterminado com um duplo sentido de indeterminação.
Uma indeterminação que pode sugerir um futuro próximo
e uma indeterminação que pode sugerir um futuro
mais distante. Há uma dobra nessa fala.
Na
verdade, o próprio presente já está dobrado.
O presente de Macbeth não é mais o da fala da primeira
bruxa, pois na cena anterior o rei já o havia conferido
o título de Thane de Cawdor. Macbeth apenas não
sabe de algo que já aconteceu.
E
as bruxas profetizam para ele o que é - para o público
que estiver assistindo/lendo a peça - apenas relato do
que já foi consumado, em cena anterior, pela ordem de Duncan.
Isso também nos faz pensar em outro fato. A profecia que
convence Macbeth do poder sobrenatural das bruxas é uma
profecia que pode ser interpretada como uma atitude técnica
de Shakespeare de trazer ambigüidade a respeito do sobrenatural.
Nessa peça o sobrenatural não ultrapassa o lugar
do histórico. É a interpretação de
Macbeth que traz a sua desgraça. No final da peça,
é Malcom quem se torna rei - não Fleance, conforme
previram as bruxas. Também a profecia sobre a promoção
de Macbeth como Thane de Cawdor já teria sido proferida
publicamente pelo rei, ou seja, já é histórica
antes de ser da ordem do sobrenatural.
Lady macbeth lendo a carta:
Lady
Macbeth- (...) 'Thane de Cawdor', por cujo título essas
estranhas irmãs me haviam antes chamado, referindo-se a
um tempo por vir com um 'salve quem vai ser rei!'(SHAKESPEARE,
2004,35). 4
Essa
cena é a quinta do primeiro ato. Nessa cena, Lady Macbeth
lê a carta que o seu marido lhe enviou para contar sobre
as aparições/profecias das bruxas. "Coming
on of time" é o que está por vir, é
um tempo um pouco mais aproximado que o tempo do porvir (o futuro).
Macbeth escolhe interpretar a dupla mensagem de indeterminação
oracular para um futuro mais próximo. O que está
por vir é próximo, enquanto o futuro de um porvir
é um pouco mais distante. É como se Macbeth já
estivesse se adiantado da fala oracular. Ele já está
optando por um tempo mais próximo, mais imediatamente próximo.
Ele está interpretando o oráculo pela rapidez justaposta
das promessas anteriores que lhe conferiram o título de
Thane de Cawdor.
Lady
Macbeth prossegue:
"Lady
Macbeth - Vem, para que eu jorre brio em teus ouvidos,
E destrua com a bravura desta língua
O que te afasta do anel de ouro
Com que o destino e a força metafísica
Te querem coroar.
(...)
(Entra Macbeth.)
Lady Macbeth - (...) tua carta transportou-me para além
Deste pobre presente, e sinto agora
O porvir neste instante." (SHAKESPEARE,2004,36-37).
Lady
Macbeth quer chegar mais rápido, já sente o porvir
no presente. Ela teme que Macbeth esteja se afastando do que está
por um triz. Até Duncan, apesar de ingênuo sobre
sua morte iminente, sente a velocidade de Macbeth: "Viemos
a galope, com intento de ser seu intendente; mas, velozes, as
esporas do amor o ajudaram." (SHAKESPEARE, 2004,40).
A velocidade de Macbeth é a velocidade de seu desejo e
de sua ambição. É o seu voluntarismo.
A profecia é dobrada sobre ele e Banquo. É dobrada
como uma fábula que não tem tempo determinado. Macbeth
se nega a seguir a sentença de seu à parte: "Se
o fado me quer rei, que me coroe sem que eu me mova."
(SHAKESPEARE, 2004,31). Nega-se a sentir a sua dobra na alma,
a sua indecisão. Ele se move veloz na direção
de fixar a fala das três irmãs. De fixar apenas o
que dessa fala profere-lhe sorte. É a sua ambição
e o seu medo que matam Banquo. Na verdade, a peça é
marcada pelo atravessamento de Macbeth diante do destino que lhe
é lançado. O destino se sustenta - caso se sustente
- como um paradoxo fixado pela sentença das bruxas: "Bom
é mau e mau é bom".
II
ato: a destruição da visão e o oráculo
que nasce em Macbeth.
Nesse
ato, Banquo que havia perguntado a Macbeth no ato anterior "o
demo diz verdades? 5", diz para
o novo Thane de Cawdor: "Ontem à noite sonhei com
as três bruxas: disseram-lhe verdades
6". Há nessa passagem um exemplo do que
ocorre nesse segundo ato. Há nesse segundo ato uma profunda
certeza a respeito das profecias das bruxas. O que elas profetizaram
já é tido como certeza até para Banquo que
já está a sonhar com elas. Nesse segundo ato, as
bruxas foram internalizadas no inconsciente das personagens. O
exemplo de Banquo é um duplo do que acontecerá de
forma intensificada com Macbeth.
"Será
um punhal que vejo, a minha frente, com o cabo para mim? Vem que
eu te agarro!
Não te alcanço, mas fico sempre a ver-te!
Então não és, visão fatal, sensível
Ao tato como aos olhos?".(SHAKESPEARE, 2004,48).
Macbeth,
aqui nesse trecho, começa a produzir uma espécie
de visão delirante que antecipa o que acontecerá
na peça. Mas essa visão é fruto de sua ambição.
Porém, o desejo de Macbeth é deslocado e figurado
na ordem do sobrenatural. O que prossegue, nessa ação
de Macbeth, é o fato de a profecia ter sido introduzida
nele como uma espécie de incumbência.
Com
o que sabemos da época de Shakespeare, pensando nas influências
tanto do medievo/renascimento/barroco, não podemos nos
iludir sobre um ceticismo (pós-moderno) em Shakespeare.
Isso não seria provável. O que queremos é
apenas não abstratizar o sobrenatural, pois ele possui
uma materialidade que é vista nas ações das
personagens. O sobrenatural em Shakespeare é como o sobrenatural
de Peter-Paul Rubens, ou como o sobrenatural de um El Greco. É
como um céu barroco que se encosta na terra. Um céu
cheio de carnalidade.
É
nesse clima de encantamento que há uma dobra barroca que
vai se construindo em Macbeth. A mesma mão que mata o Rei
é a mão que se arrepende. "Macbeth (olhando
a mão) - É uma triste visão." (SHAKESPEARE,
2004,51). Macbeth vai do desejo figurado no sobrenatural para
a culpa do ato praticado. A culpa não foge de Macbeth.
Ele é voluntarioso nesse clima de luxúria e de fé.
É uma voluntariedade barroca, não romântica.
É a contradição do homem que está
espremido entre o céu e a terra.
"Macbeth
- Que mãos são essas que me arrancam os olhos?
Será que o vasto oceano de Netuno
Pode lavar o sangue destas mãos?
Não; nunca! Antes estas mãos conseguiriam
Avermelhar a imensidão do mar
Tornando rubro o verde." (SHAKESPEARE,2004,53-54).
A beleza dessa fala que descreve a culpa de Macbeth é fascinante.
Macbeth escandaliza-se com o seu ato. Ele vê o seu ato,
e, ao mesmo tempo, mensura o alcance que um ato como o seu pode
ter. A morte chega, e destrói a visão. Macduff diz,
"vão ao quarto e destruam a sua visão"
(SHAKESPEARE, 2004,59).
III ato: o desejo de reverter a profecia (ou a História)
/ o assassinato de Banquo / o fantasma.
Nesse ato Macbeth já é o Rei. O ato se inicia com
uma fala explicativa de Banquo no palácio, nela Banquo
faz considerações sobre o oráculo e sobre
as ações de Macbeth. Por essas considerações,
pensamos que há uma divisão entre o agir de Macbeth
e o falar do oráculo. Divisão que será aumentada
nesse ato. Macbeth tentará destruir a profecia que o impede
de ser pai de reis. Mandará os assassinos matarem Banquo
e o seu filho que não morre. Por conta disso, Macbeth acabará
por ter visões/alucinações do fantasma de
Banquo.
Não
se pode cair na tentação cética e moderna
de separar alucinação de visão em Macbeth.
A experiência de Macbeth é da ordem do sobrenatural
e também do histórico. Nesse mundo barroco, entre
reforma e contra-reforma, mais que um ceticismo há uma
confusão sobre a natureza da fé, e sobre as formas
que essa fé deve tomar. Há a idéia do livre-arbítrio
do homem convivendo com as formas agigantadas do sobrenatural:
bruxas, fantasmas, aparições. Não podemos
ler Macbeth como uma tragédia da vontade. É
na dobra que ela se figura. Dobra entre: a ambição
e o medo, o sobrenatural e o histórico. Entendemos o mundo
sobrenatural como o mundo dos seres fantásticos, dos diabos,
das bruxas assim como o das irmãs. O mundo histórico
é o mundo das sucessões dos reis, dos assassinatos,
das tomadas de poder como a que foi feita por Macbeth.
"Banquo
- Glamis, Cawdor, Rei, tu já tens tudo agora,
Que as bruxas prometeram; temo, entanto,
Que agiste mal pra tê-lo; mas foi dito
Que nada passaria a teus herdeiros,
E que seria eu pai e raiz
De muitos reis. Se elas dizem verdades
(E em ti, Macbeth, rebrilham suas falas),
Então segundo o que a ti já trouxeram,
Não seriam pra mim também oráculo,
Fazendo-me esperar? Mas chega disso. "(SHAKESPEARE, 2004,67)".7
Nos
dois primeiros versos dessa fala de Banquo, percebe-se nele uma
consciência sobre uma possível ação
errada de Macbeth como independente da profecia das bruxas. É
como se Banquo não entendesse a profecia das três
irmãs como ligadas ao - provável e suspeito - ato
ilícito do protagonista da peça. Do quinto verso
em diante, Banquo ainda avalia a profecia que as três irmãs
proferiram para ele. Dentro da dinâmica desse subjuntivo
(if/se), Banquo refletirá - com dúvida - sobre a
parte (dobrada) da profecia que lhe compete.
É
importante pensar, também, que Shakespeare inicia essa
cena com uma fala de Banquo refletindo sobre o seu quinhão
profético. Nessa mesma cena, Macbeth contratará
assassinos para matá-lo. "Elas o honraram como pai
de reis: a coroa que uso não dá frutos 8",
Macbeth revolta-se contra o oráculo. Ele não acha
justo cometer um crime para ter um reino que terá de deixar
como herança aos filhos de Banquo. A profecia das três
irmãs continua a atormentá-lo. "Escorpiões
entopem minha mente, Querida! Banquo e Fleance vivem 9".
Como Rei ele não descansa, em nenhum momento reina - como
no caso de Édipo que se esqueceu do seu crime. No momento
que foi coroado Rei, ele já estava pensando na sua sucessão
estéril que lhe fora profetizada. Imediatamente, ele pensa
na profecia de sucessão para Banquo que haviam previsto
as bruxas. É por isso que manda matar Banquo.
A
opção de Jan Kott de ressaltar uma consciência
histórica em Shakespeare é de fundamental importância
para entendermos o modo como o poeta transfere o histórico
- de seus dramas históricos - para a construção
de suas tragédias. Kott vê a História na metáfora
do pesadelo de Macbeth. O crítico cria uma belíssima
imagem a partir da idéia de uma escadaria que a personagem
percorreria até chegar ao ponto máximo de sua morte.
"Em Macbeth, a História é mostrada através
de uma experiência pessoal, assim como o crime." (KOTT,
2003,92). Diferentemente de Kott, acreditamos que há um
outro nível de consciência histórica. Porque
achamos que quando Kott usa apenas a imagem do pesadelo, usa-a
por uma compreensão enraizada na idéia de Homem/Sujeito
moderno.
Embora
saibamos que todo o sobrenatural se passa por dentro/meio das
ações de Macbeth, não podemos concluir, por
isso, que há apenas pesadelo e não visões
(do sobrenatural) como a do fantasma que Kott diz não haver.
Isso seria como não perceber as tópicas da época
sendo utilizadas por Shakespeare. O sobrenatural como tópica.
É claro que o crítico faz uma escolha para entender
a obra de Shakespeare conversando com a experiência do homem
contemporâneo.
Nada
nos pode fazer afirmar, lendo essa peça, que Shakespeare
acreditava em fantasmas, mas também nada nos faz afirmar
que o poeta construa o seu protagonista como uma personagem que
está apenas em pesadelo. O que se percebe é a ambigüidade
de figuras que parecem ser, ao mesmo tempo, pesadelo e visão
(sobrenatural). Se a personagem Macbeth tem apenas pesadelo e
ambição, por que ele não persegue - o óbvio
- a sucessão de Malcom, o filho fugido de Duncan? Mesmo
havendo, na peça, indícios de que Macbeth sente-se
ameaçado por Malcom - "O filho príncipe! Esse
é um tropeço que me derruba se eu não superar;
pois está em meu caminho 10."
- o oráculo não prevê o óbvio que é
a sucessão histórica. E, por conta disso, o vilão
segue o oráculo. Macbeth está, a todo tempo na peça,
criando a sua ação a partir de sua interpretação
dos oráculos. E os oráculos sempre o induzem à
lateralidade: Banquo e Macduff. Os oráculos não
o induzem a uma ação linear. Eles assim fariam se
sugerissem a sucessão de Malcom, o filho mais velho de
Duncan.
Os
oráculos, as visões só se realizam para Macbeth
e para a sua esposa. Para Banquo, embora ele de algum modo também
creia, o oráculo não acerta. Os oráculos
fazem sentido para Macbeth porque ele é, de certo modo,
crédulo. Macbeth manda matar Banquo e seu filho porque
quer também reverter a profecia. E quer fazer isso porque,
em parte, acredita nela. Ele acredita em si próprio como
um agente de reversão.
Em
Macbeth, não há apenas um único tema como
diz Jan Kott.11 "O assassinato"
não é o único tema nessa peça. Nem
é necessário que seja esse o único tema para
que haja uma certeza de que Shakespeare construía a sua
peça com consciência histórica. Há
em Shakespeare tanta consciência histórica que ele
consegue criar uma peça em que a personagem principal é
um vilão extremamente moral. "A tentação
do sobrenatural não pode ser má e nem ser boa: Se
má, por que indica o meu sucesso, de início, com
a verdade? 12", Macbeth vive
nesse movimento oscilatório. Devemos acrescentar à
imagem de Kott, que a escada que Macbeth sobe é uma escada
em espiral. Em seus atos, existe muita lateralidade e paradoxo.
Macbeth não é uma personagem que apenas anda para
frente. Depois da assombração do fantasma de Banquo,
ele irá atrás das bruxas, atrás de novas
profecias. Ele busca uma nova sentença profética.
Ele busca porque pretende percorrer as profecias como a um enigma.
IV
e V atos: a visão dobrada/ Quebra do encanto.
"Há
dobras em toda parte: nos rochedos, rios e bosques, nos organismos,
na cabeça e no cérebro. (...) mas nem por isso a
dobra é um universal." (DELEUZE, 2004,194).
"O
conceito de dobra é sempre um singular, e ele só
pode ganhar terreno variando bifurcando, se metamorfoseando."
(DELEUZE, 2004,195).
Gilles
Deleuze cria o conceito de dobra muito próximo do que entendemos
por História: algo móvel e particular. É
claro que é próximo, porém diferente. A diferença
se dá na distância entre esses dois sinônimos:
singular e particular. O singular pressupõe sempre uma
diferença enquanto o particular pode dirigir-nos a cada
particularidade, mesmo que local. É essa a diferença
próxima que buscamos para entender a visão dobrada
que se configura em Macbeth. Visão que aproxima a história
do natural e do sobrenatural. Visão que constrói
a história como uma dobra. O céu encosta-se na terra
como num quadro barroco. Não uma visão romântica,
ou aristotélica, que define a História pelo particular
e/ou local em oposição ao universal. Na terra estão
o inferno, o céu e a história.
Um
exemplo claro disso é a cena do porteiro que, a todo tempo
de sua fala, descreve o seu ofício como o de um porteiro
do inferno. Não acredito que alguém pense que essa
cena, desligada, em parte, da personagem central da peça,
seja uma alucinação de Macbeth. Na verdade, trata-se
de uma justaposição da história e do sobrenatural
como um paralelo para a história de Macbeth. O porteiro,
que está embriagado, metaforiza-se na imagem de um porteiro
do inferno. Shakespeare com isso, usa o porteiro, que está
embriagado como ambigüidade entre uma função
(a de porteiro) em delírio (bebedeira) como um duplo de
Macbeth no que tangencia essa dobra entre função
pública e delírio. São, ao mesmo tempo, duas
as imagens juntas, o histórico (o porteiro, o rei) e o
sobrenatural (o delírio, as alucinações),
para uma dobra. É um duplo. Um duplo que está aumentado
em Macbeth.
"A
alegoria (barroca) descobre a natureza e a história segundo
a ordem do tempo; faz da natureza uma história e transforma
a história em natureza, num mundo que já não
tem centro13". (DELEUZE,
2000,209). Assim, Deleuze constrói uma reflexão
que nos ajuda a entender a força figurada e alegórica
das três irmãs e das alucinações em
Macbeth. As três bruxas não são apenas figurações
do psiquismo de Macbeth. O que há nelas é uma imagem
descentrada onde a História de um tempo oracular - uma
mentalidade medieval - e a História de um tempo de sucessões
de reis - Jaime VI, rei da Escócia, primo de Elizabeth
I, um dos editores da Bíblia James, que assume no
lugar de sua prima 14- estão
sendo naturalizadas dentro de Macbeth.
Quando
Hegel diz "as bruxas são apenas a figuração
poética da vontade rígida e sem escrúpulos
de Macbeth" 15, ele diz isso
porque tem uma leitura romântica que busca acentuar, em
Shakespeare, o individual. Essa leitura é importante quando
se pretende formar graus de comparação entre Shakespeare
e as tragédias gregas; mas, por outro lado, aprisiona essa
peça ao imaginário de uma subjetividade romântica.
Não é possível explicar todo o sobrenatural,
nessa peça, como projeção de Macbeth. O que
há, na verdade, é a naturalização
desse sobrenatural. Naturalização pelo corpo que
é o mundo. Naturalização que entende o mundo
também como um teatro.
Nesse
ato da peça, algumas vezes, haverá a metáfora
- bem no clima da reforma e da contra-reforma - dos soldados como
do exército de Deus ou do exército das trevas. "Nem
na tropa que habita o inferno pode haver demônio pior do
que Macbeth16", Macduff
fala esse verso quando resolve ir contra Macbeth. A última
fala do ato é a de Malcom que diz, "o próprio
céu está armado" 17.
Ele diz essa frase após estar vestido com a sua armadura.
É como se a peça assumisse o sobrenatural como retórica
para uma práxis histórica. É a visão
de mundo barroca que vive nessa oscilação, naturalizada,
do sobrenatural e do histórico.
Há
um quadro barroco, embora seja do barroco católico e não
do protestante, que se chama "O desembarque de Maria de
Médicis em Marselha" do pintor Flamengo Peter-Paul
Rubens (1622-1625), que nos dá a possibilidade de visualizar
uma cena em que o sobrenatural é usado como ênfase
retórica para o histórico. Essa cena é um
acontecimento histórico. É a chegada da rainha Maria
de Médicis na cidade de Marselha, na França. Apesar
desse componente histórico, o quadro é pintado com
ênfases - em suas extremidades (alto e baixo do quadro)
- de imagens do sobrenatural. Há um anjo acima da rainha
tocando trombeta. E, embaixo da rainha, há uma mistura
de seres como que sátiros e nereidas opondo as imagens
angelicais e bíblicas que estão acima da rainha
no quadro. Desse modo, não deixam de existir o histórico
e o sobrenatural. O que ocorre é que o sobrenatural no
barroco, por conta dessa condição política
da religião (as reformas), alcança uma dimensão
histórica. No entanto, a alegoria barroca não é
como a alegoria romântica, como comenta Giulio Carlo Argan,
em seu livro História da arte moderna, sobre "A
liberdade guiando o povo" de Delacroix. Segundo o estudioso,
a liberdade seria uma imagem abstrata, de uma personificação
de mulher, representada em uma paisagem realista e local que possui
um outro tipo de tratamento. Essa imagem da liberdade como uma
mulher separada da paisagem local e histórica já
é a projeção de um ideal de homem romântico.
Um homem individualizado. Parece que Argan percebe em Delacroix
não um "dizer o outro" da alegoria barroca,
mas sim um "criar um outro", alteridade construída
pela ideologia romântica e liberal.
Agora
podemos voltar à diferença que apontamos entre uma
História dobrada, no barroco, com a ênfase no singular,
e de uma visão de História, romântica, com
uma ênfase no particular. No barroco, temos em Rubens -
que, assim como Shakespeare, é bastante referenciado por
Delacroix - uma paisagem em que o céu, a terra e o histórico
estão quase que amontoados. Já em Delacroix, vemos
a imagem abstrata da liberdade, ocupando uma centralidade, em
um quadro bem realista. É claro que não podemos
esquecer que essa diferença se dá entre sinônimos.
Um singular e um particular são bem parecidos. Parecidos,
mas ainda assim diferentes. Desde Aristóteles no capítulo
9 do livro A poética, a História tem sido
pensada como um particular em oposição a um universal.
É isso que se vê no quadro de Delacroix uma liberdade,
como um universal, domina o quadro. A liberdade praticamente pisa,
erguendo uma bandeira, em um amontoado de corpos. Ao contrário
do quadro de Delacroix, o quadro de Rubens é um quadro
dobrado, o acontecimento histórico não está
sendo oposto/separado do conteúdo transcendental. E o conteúdo
transcendental é ambíguo, pois parece ser do plano
da imanência. Os seres mágicos e transcendentais
são extremamente naturalizados. Os anjos e os outros seres
míticos são como que pesados e possuem a mesma carnalidade
que a rainha Maria de Médicis. É uma dobra da história
no sobrenatural.
Foi
necessário, de certa forma, passar por tantos conceitos
e imagens sobre o barroco porque nesse ato, logo na primeira cena,
presenciamos uma forte dobra entre História e o sobrenatural.
As bruxas repetem três vezes: "Dobrem males e aflição
nas bolhas do caldeirão" 18.
Essa fala, altamente enfática para a peça, simboliza
- pela via do meta-teatro - o encantamento do caldeirão
das bruxas.
Há, nessa fala, uma outra dobra barroca a se pensar, uma
dobra que nos faz lembrar de um outro quadro do barroco: "As
meninas" (1656/1657), de Diego Velásquez. Nesse
quadro, mediante o jogo com o espelho - objeto que, nesse ato
da peça, será trazido pelas aparições
infantis - Velásquez introduz-se no quadro como pintor
e, também, como pintado. Acreditamos que as Bruxas trazem,
de certo modo, comentários do próprio Shakespeare
para peça. O autor usa das três irmãs como
uma metáfora da autoria. Elas são personagens que
possuem grande poder de ação na peça. Figuradamente,
poder-se-ia dizer que elas, algumas vezes, são texto (para
a personagem central desdobrar) e rubrica (comentada) da peça.
Shakespeare
se utiliza desses seres "metafísicos" para criar
um lugar para o dramaturgo na peça. Elas introduzem a peça,
comentam a ação de Macbeth e antecipam alguns dos
climas que estão sendo criados. É claro que não
se trata de um meta-teatro cético como vemos no teatro
moderno. Há uma ambigüidade nessa relação
entre o sobrenatural e o metateatral. Como diz Deleuze na epígrafe
acima, é uma dobra que está sempre se metamorfoseando.
A
cena inicial que se dá nesse primeiro ato é de extrema
beleza porque já se inicia em uma caverna. "Sempre
uma caverna na caverna", como diz Deleuze sobre a matéria
do barroco. Depois da imagem da caverna, as três irmãs
chegam e em seguida chega Macbeth.
Ele busca saber algo mais sobre o seu futuro. Macbeth quer também
falar com uma outra ordem de seres do sobrenatural.
"Bruxa
1 - Diz se preferes que falemos nós, ou nossos mestres?
Macbeth - eles. Quero Vê-los.
(...)
Todas as bruxas - alto a baixo, fim e início, mostra-te,
e ao teu ofício."(SHAKESPEARE, 2004,97).
A
resposta das bruxas sugere uma imagem de dobra complexa. Essa
ordem "do alto e do baixo e do início e do fim"
é como que, sucessivamente, a imagem de um céu e
de uma terra dobrados em um tempo presente adensado de futuro
(e/ou um futuro que vem em precipício). É como a
imagem infinita de uma caverna dentro de uma outra caverna proposta
por Deleuze.
Logo em seguida aparece uma cabeça cortada que diz a Macbeth
para tomar cuidado com Macduff. Depois aparece uma criança
ensangüentada que diz a Macbeth, "ninguém
parido de mulher fere Macbeth." A terceira aparição
é uma criança coroada que diz a Macbeth, "Macbeth
jamais será vencido enquanto a floresta de Birnam não
subir contra ele em Dunsiname."
O
oráculo segue direcionando Macbeth para a sua própria
ruína, para a lateralidade (dobras possuem lateralidades).
O oráculo não dita ao protagonista o caminho que
parece lógico de uma sucessão, grosso modo, linear.
Resumidamente, é o próprio Macbeth que causa a sua
própria morte, já que Macduff veste-se de um sentimento
de vingança contra ele. Isso porque o vilão manda
matar Macduff e acaba matando os filhos e a mulher deste homem.
Em seguida, a cena vai ficando cada vez mais etérea. Acontece
um desfile de oito reis e o último, com um espelho na mão,
é seguido pelo fantasma de Banquo. Anteriormente, Macbeth
havia perguntado, "Podes dizê-lo se a raça
de Banquo irá reinar aqui?". Ele ainda leva à
última conseqüência as previsões oraculares.
Previsões que, ao mesmo tempo, parecem ser matéria
de sua própria fantasia. Na verdade, o que há de
fantasia é o fato de Macbeth ser bastante crédulo.
Ele não duvida do oráculo. Ao contrário,
busca apenas segui-lo e revertê-lo.
Parte
da identificação que o público deve sentir
por Macbeth é que ele é jogado de um lado para o
outro. É um vilão que é, ao mesmo tempo,
uma vítima. De um lado, é vítima de si mesmo.
De outro lado, é vítima da sua própria sorte
(má). Shakespeare cria essas três irmãs um
pouco como agentes, já que elas fazem a vez de um dramaturgo-paisagem.
Gostamos da imagem de Jan Kott das três irmãs como
uma paisagem do mundo. De fato, há nelas uma paisagem.
Porém, há mais do que isso. Há nelas, também,
a presença do autor construindo o clímax da peça.
Assim como o mundo, elas sopram em direções confusas.
Elas indicam o mau caminho. Por isso, ao morrer, Macbeth diz,
"A vida é só uma sombra: um mau ator"
19. Em parte, ele diz isso sentenciando
a sua própria vida. Ele julga seu próprio desempenho
no mundo. O seu mau desempenho também se deu porque acreditou
demasiado nas paisagens das bruxas. Quis acompanhar literalmente
essas frases dobradas, sem se dobrar. Ele, como um mau ator, internalizou
muito as cenas nebulosas que o mundo produzira. Ele não
dançou como as bruxas, tendo consciência que o "Bom
é mau e mau é bom".
NOTAS:
1- Utiliza-se a tradução de Barbara Heliodora. Editora
Lacerda.
2 - http://www.online-literature.com/shakespeare/macbeth/4/. Tradução
da Barbara Heliodora. Todas - o encanto está começando!(SHAKESPEARE,
2004,25).
3 - A última fala da terceira bruxa é a seguinte:
"All Hail, Macbeth, Thou Shalt be King Hereafter". In.
Idem site a cima.
4-SCENE V. Inverness. Macbeth's castle. / LADY MACBETH - 'Thane
of Cawdor;' by which title,
before, these weird sisters saluted me, and referred me to the
coming on of time, with 'Hail, king that
shalt be!' (Idem o mesmo site)
5 - pg.29
6 - pg. 47
7 - Thou hast it now: king, Cawdor, Glamis, all,/As the weird
women promised, and, I fear,
Thou play'dst most foully for't: yet it was said/It should not
stand in thy posterity,
But that myself should be the root and father/Of many kings. If
there come truth from them-/-As upon thee, Macbeth, their speeches
shine--/Why, by the verities on thee made good,
May they not be my oracles as well,/And set me up in hope? But
hush! No more.
8 - pg. 70.
9 - pg. 76.
0 - SHAKESPEARE, 2004, 34.
1 - Ian Kott. 2003, pág. 93.
2 - pág. 30.
3 - Deleuze diz que Walter Benjamin é o responsável
por construir esse entendimento sobre a alegoria Barroca.
4 - Barbara Heliodora no prefácio dessa peça, comenta
o fato dela ter sido feita como encomenda, no período em
que Jaime I era o Rei da Inglaterra, da Escócia e da Irlanda.
Pensamos que pelo fato desse Rei ser grande conhecedor sobre bruxas,
o mesmo escreveu um tratado sobre Demologia, Shakespeare, trabalhando
com o horizonte de expectativa dessa época, soube usar
bem essa tópica; mas usou-a pensando-a cenicamente.
5 - HEGEL, 1996,639. In. "Curso de Estética - O belo
na arte".
6 - pág. 110.
7 - pág. 120.
8 - pág. 93, 94,95.
9 - pág. 134.
Bibliografia
DELEUZE,
Gilles. A dobra - Leibniz e o Barroco. São Paulo: Papirus.
Tradução Peter Paul Pelbart. 2000.
DELEUZE, Gilles. Conversações. São Paulo:
Editora 34. Tradução Peter Paul Pelbart. 2004.
HEGEL, G.W.F. Curso de estética - o belo na arte. São
Paulo: Martins Fontes. Tradução Orlando Vitorino.
1996.
KERMODE, Frank. A linguagem de Shakespeare. Rio de Janeiro: Record,
Trad. Bárbara Heliodora, 2006
KOTT, Jan. Shakespeare: nosso contemporâneo. São
Paulo: Cosac e Naify, 2003.
SHAKESPEARE, William. Macbeth. Trad: Barbara Heliodora. Rio de
Janeiro: Nova Fronteira, 1995.
Site:
http://www.online-literature.com/shakespeare/macbeth/4/