O
presente
artigo
tem
como
objetivo
destacar
algumas
das
inúmeras
referências
históricas
e
mitológicas
presentes
em
Os
Lusíadas
e
que
fazem
deste
poema
épico
a
obra
mais
significativa
do
Renascimento
português.
Palavras-chave:
mitos
-
argonautas
-
História.
Abstract:
The
present
article
aims
poiting
out
some
of
the
countless
historic
and
mythological
references
in
Os
Lusíadas,
which
make
this
epic
poem
the
most
significant
of
the
Portuguese
Renaissance.
Key-words:
myths
-
the
argonauts
-
History.
É
consenso
nos
meios
literários
que
Os
Lusíadas
é
considerada
a
mais
representativa
obra
do
Renascimento
português,
além
de
ser
o
ponto
culminante
da
literatura
portuguesa.
Trata-se
de
um
poema
épico,
pois
relata
os
feitos
heróicos
dos
descobridores,
composto
ao
modo
clássico,
enriquecido
ao
longo
de
dez
cantos
com
elementos
mitológicos,
mas
com
uma
diferença:
seus
cantos
falam
de
História
e
não
de
lendas.
Ao
ser
comparado
com
os
poemas
clássicos,
gostaríamos
de
deixar
bem
claro
que
os
poemas
gregos
e
romanos
não
trataram
exclusivamente
de
lendas,
criações
fantásticas
que
brotaram
da
imaginação
de
poetas
contadores
de
histórias.
Pesquisas
arqueológicas
dos
últimos
anos
comprovam
os
relatos
de
Homero,
sabedores
que
somos,
segundo
Ceram
(1967,
p42-5),
que
sob
a
névoa
dos
relatos
mitológicos
a
História
se
faz
ouvir.
Camões,
no
entanto,
ao
fazer
florescer
o
dolce
stil
nuovo
em
Portugal,
que
foi
trazido
às
terras
lusitanas
pelo
poeta
Sá
de
Miranda,
transformou
os
heróis
nacionais
em
figuras
heróicas
literárias.
Inspira-se
especialmente
em
A
Eneida,
de
Virgílio,
que
celebra
um
homem
ilustre
chamado
Enéas,
tanto
que
o
primeiro
verso
de
Os
Lusíadas
remete
ao
verso
do
poeta
romano.
Camões
canta
os
feitos
de
seu
conterrâneo,
Vasco
da
Gama,
ao
longo
da
viagem
a
tão
desejada
Índia.
Ao
mesmo
tempo,
aos
feitos
de
Vasco
da
Gama
o
poeta
incorpora
os
de
Bartolomeu
Dias,
outro
herói,
descobridor
do
Cabo
das
Tormentas,
hoje
Cabo
da
Boa
Esperança,
chamado
por
Camões
"O
gigante
Adamastor".
Seguindo
o
estilo
clássico,
os
acidentes
geográficos
e
fenômenos
da
natureza
são
personificados,
como
é
caso
do
Velho
do
Restelo,
o
que
encontramos
no
Canto
IV,
nas
estrofes
94
até
seu
final,
na
estrofe
104.
Esta
alusão
representaria
a
voz
da
Precaução,
do
sentimento
de
pavor
ante
o
desconhecido.
É
a
voz
das
mães
e
familiares,
dos
amigos
dos
viajantes
destemidos,
que
consideram
loucura
aventurar-se
por
"mares
nunca
dantes
navegados"
(Canto
I,
estrofe
1).
Uma
leitura
mais
atenta
nos
revela
tratar-se
também
da
voz
do
homem
do
campo,
se
considerarmos
que
o
vocábulo
restelo
é
um
instrumento
usado
para
aplainar
a
terra
lavrada.
Os
valores
da
terra
são
lembrados
em
oposição
ao
inimaginável
que
o
mar
representava,
além
do
fato
de
faltarem
braços
para
a
agricultura.
Na
estrofe
98,
o
Velho
do
Restelo
relembra
Adão,
o
autor
do
pecado
original,
de
quem
esta
geração
descende
e
refere-se
às
idades
mitológicas,
ao
declarar
que
a
nação
se
encontra
na
Idade
do
Ferro,
a
das
armas,
e
que
deste
destino
não
escapará.
Alerta
o
navegador
destemido
dos
perigos
e
da
busca
pela
fama
fugaz,
além
de
amaldiçoar
quem
primeiro
construiu
um
barco.
Faz
referencia
a
Prometeu,
responsabilizando-o
pelas
desventuras
do
presente,
pois
ao
roubar
o
fogo
aos
deuses,
trouxe
aos
homens
o
fogo
das
guerras.
Na
estrofe
104,
nos
versos
"Não
cometera
o
moço
miserando/
O
carro
alto
do
pai,
nem
o
ar
vazio."
refere-se
a
Faetonte,
que
por
sua
pretensão
em
tomar
as
rédeas
do
carro
de
Apolo,
causou
alterações
profundas
no
clima
da
terra,
destruindo
as
plantações,
secando
os
rios
e
mares,
o
que
levou
enfim
o
filho
ambicioso
à
destruição.
Segundo
Gladstone
Chaves
de
Mello
(1980,
p.48),
no
prefácio
da
edição
comentada
de
Os
Lusíadas,
Camões
incorporou
os
fatos
passados
dos
navegantes
portugueses
que
ampliaram
os
domínios
da
Coroa
Real,
a
apartir
de
D.
João
II.
País
pobre
e
pequeno,
Portugal
viu
sua
língua
chegar
até
o
Extremo
Oriente,
o
que
elevou
a
auto-estima
do
povo
português.
Camões
soube
como
nenhum
outro
captar
estes
sentimentos
de
pura
nacionalidade,
levando-o
a
produzir
este
hino
de
louvor
aos
feitos
históricos
reais,
comprovados
e
que
assombraram
o
mundo.
Até
hoje
ficamos
admirados
com
o
arrojo
destes
descobridores,
que
superaram
os
medos
mais
profundos
de
suas
almas,
levando-os
a
feitos
tão
gigantescos
que
empalidecem
a
fantasia.
Talvez
por
isto
tenha
sido
tão
natural
que
o
poeta
estabelecesse
este
diálogo
com
os
heróis
criados
pela
Mitologia
clássica.
As
vozes
antigas
estão
presentes
no
seu
poema
épico,
recriadas
com
seu
domínio
da
arte
poética,
garantindo
assim
a
polifonia
do
texto.
Vasco
da
Gama
foi
o
escolhido
pelo
rei
D.
Manuel
para
comandar
a
expedição
e,
no
Canto
IV,
estrofe
80,
responde
ao
rei
invocando
Hércules,
o
herói
mitológico.
Nas
duas
estrofes
seguintes,
81
e
82,
pede
que
seu
irmão
Paulo
da
Gama
e
o
amigo
Nicolau
Coelho
façam
parte
da
esquadra.
Na
estrofe
83,
o
poeta
compara
a
expedição
lusa
à
mesma
empreendida
pelos
Argonautas,
que
foram
em
busca
do
Velocino
de
Ouro,
brilhantemente
relatada
por
Apolônio
de
Rodes,
em
A
Argonáutica.
Camões
não
cita
diretamente,
mas
o
chefe
da
aventura
marítima,
Vasco
da
Gama,
pode
ser
o
equivalente
a
Jasão,
que,
segundo
Rodes
(1989,
p.13),
é
o
condutor
da
nau
Argo
com
seus
valentes
amigos,
os
argonautas.
Esta
é
uma
referencia
que
se
repete
desde
o
Canto
I,
estrofe
1,
no
Canto
IX,
estrofe
64
e
no
Canto
X,
estrofe
88.
Na
estrofe
84
dá
a
Lisboa
o
epíteto
de
"ínclita
Ulissea".
No
Canto
V,
encontramos
intertextualidade
variada
com
textos
clássicos,
em
que
as
referencias
mitológicas
estão
entrelaçadas
com
os
feitos
históricos.
O
poeta
explica,
de
forma
cifrada,
na
estrofe
2,
um
momento
datado.
Ao
fazer
uso
de
referências
mitológicas
e
bíblicas,
leva
o
leitor
a
um
exercício
de
interpretação,
para
que
possa
entender
as
várias
pistas
que
indicam
a
data
em
que
os
navegantes
deixaram
Portugal,
no
ano
de
1497:
Entrava
neste
tempo
o
eterno
lume*
No
animal
nemeio
truculento;**
E
o
mundo,
que
com
tempo
se
consume,
Na
seista
idade
andava,
enfermo
e
lento.
Nada
vê,
como
tinha
por
costume,
Cursos
do
sol
quatorze
vezes
cento,
Com
mais
noventa
e
sete,
em
que
corria,
Quando
no
mar
a
armada
se
estendia.
*
O
sol.
**
Leão
vencido
por
Hércules.
Na
estrofe
4
tem
início
o
relato
dos
propósitos
dos
navegadores,
ou
seja,
a
conquista
das
terras
de
Anteu
(gigante
mitológico
que
vivia
na
Líbia).
Os
navegantes
passam
pela
ilha
da
Madeira,
pelo
Trópico
de
Câncer,
e
na
estrofe
11
o
poeta
refere-se
às
ilhas
Dórcadas,
morada
das
Górgonas
(Medusa,
Esterno
e
Euríale)
e,
na
estrofe
15,
a
passagem
pelo
Equador,
"por
onde
duas
vezes
passa
Apolo".
Muitos
fenômenos
relatados
por
marinheiros
são
contados
por
Vasco
da
Gama,
como
o
fogo
de
Santelmo,
nas
estrofes
18
até
a
estrofe
22,
assim
como
encontramos
a
descrição
de
uma
tromba
d'água.
Na
estrofe
26,
o
poeta
relata
o
desembarque
dos
navegantes:
Desembarcamos
logo
na
espaçosa
Parte
por
onde
a
gente
se
espalhou,
De
ver
cousas
estranhas
desejosa,
Da
terra
que
outro
povo
não
pisou.
(...)
Trata-se
da
baía
de
Sta.
Helena,
sendo
que
na
estrofe
anterior
Camões
refere-se
ao
astrolábio,
aparelho
que
mede
a
distância
do
sol.
Na
estrofe
28
conta
as
dificuldades
lingüísticas
dos
navegantes
nas
tentativas
de
comunicação
com
os
nativos,
refere-se
a
Polifemo
(Ciclope,
gigante
mitológico
com
um
olho
só)
e
retoma
o
mito
do
Velocino
de
Ouro,
a
rica
pele
de
Colcos,
que
os
Argonautas
procuravam.
No
mesmo
Canto,
estrofe
37,
o
poeta
faz
uma
auto-referencia
ao
falar
dos
"mares
nunca
d'outrem
navegados",
citados
no
início
do
poema,
modificando
os
termos
"de
antes"
para
"d'outrem"
Na
estrofe
38,
começa
o
relato
dos
feitos
de
Vasco
da
Gama,
em
que
cinco
dias
após
deixarem
a
Baía
de
Sta.
Helena,
os
navegantes
têm
a
primeira
visão
do
Cabo
das
Tormentas,
hoje
Cabo
da
Boa
Esperança.
Aqui
o
poeta
personifica
o
rochedo
na
figura
do
Gigante
Adamastor,
apropriando-se
da
Mitologia
clássica,
residindo
aí
uma
de
suas
mais
importantes
recriações
do
modo
épico
de
narrar.
O
Gigante
apavora
Vasco
da
Gama,
fala
de
coisas
que
aconteceram
depois
da
viagem,
mas
que
eram
do
conhecimento
de
Camões.
Trata-se
da
vingança
do
Gigante
contra
aquele
que
ousou
enfrentá-lo,
o
herói
Bartolomeu
Dias.
Na
estrofe
50,
o
Gigante
apresenta-se
citando
Ptolomeu,
Estrabão,
Pompônio
e
Plínio,
renomados
geógrafos
da
Antigüidade.
Logo
depois
dá
sua
genealogia,
como
um
dos
gigantes
que
ousou
destronar
Júpiter
e
teve
como
castigo
ver-se
sepultado
sob
uma
montanha
de
pedras.
Na
estrofe
59,
o
Gigante,
em
desgraça,
relata
sua
transformação
em
pedra.
Nas
estrofes
80
até
81
Camões
descreve
a
doença
que
vitimava
muitos
navegadores,
o
escorbuto,
devido
à
dieta
pobre
em
alimentos
frescos
e
ausência
de
vitamina
C.
Aos
bons
momentos
vividos
logo
surge
a
Ramnúsia,
sempre
triste
e
amarga,
a
deusa
da
Vingança
e
da
Inveja,
explicando
que
o
sofrimento
é
muito
grande
e
o
bem
incerto.
Na
estrofe
89
Camões,
fala
da
própria
escrita,
em
discurso
metalingüístico,
ao
declarar
o
eixo
central
de
seu
fazer
poético:
Nestas
fábulas
vãs,
tão
bem
sonhadas,
A
verdade
que
eu
conto,
nua
e
pura,
Vence
toda
grandíloca
escriptura!.
Percebe-se
no
poeta
a
consciência
de
sua
grandeza,
além
de
uma
ousadia
que
combina
a
celebração
apoteótica
dos
feitos
portugueses,
pois
para
ele
estes
feitos
são
mais
grandiosos
que
os
dos
heróis
antigos,
por
serem
verdadeiros
e
não
fantasia.
No
Canto
VI,
estrofe
6,
encontramos
o
relato
da
viagem
tranqüila
rumo
a
Índia,
o
que
enfurece
Baco
(o
mau
de
Tioneu),
pois
ele
conquistou
a
índia
e
não
quer
perder
esta
glória
para
os
ínfimos
portugueses.
Das
estrofes
11
até
37,
uso
riquíssimo
de
personagens
e
lendas.
Na
estrofe
40
surge
entre
os
navegadores
a
idéia
de
contar
histórias
e
Fernão
Veloso,
personagem
histórico,
relata
o
episódio
dos
Doze
da
Inglaterra,
típico
do
cavalheirismo
português,
uma
referência
medieval
que
se
alonga
até
a
estrofe
67,
quando
inicia
uma
tempestade
violenta.
No
CantoVII,
a
esquadra
de
Vasco
da
Gama
chega
a
Calecute,
na
tão
sonhada
Índia
e
o
poema
inicia
louvando
o
espírito
de
cruzada
dos
Portugueses,
espalhando
a
fé
Católica.
Nesta
parte
do
poema,
Camões
mostra
a
situação
política
e
religiosa
da
Europa
da
época,
começando
com
os
alemães,
na
estrofe
4,
referindo-se
ao
"sucessor
de
Pedro
rebelado,/novo
pastor
e
nova
seita
inventa",
em
uma
alusão
evidente
a
Martim
Luther,
criador
do
Protestantismo,
em
oposição
à
Igreja
Católica
e
que
viria
a
alastrar-se
pela
Europa,
pelos
anos
de
1512.
Representantes
de
outros
reinos
como
Henrique
VIII
da
Inglaterra
e
Francisco
I,
rei
da
França
são
mencionados,
com
críticas
às
pretensões
de
Francisco
I
em
relação
a
Nápoles
e
Navarra.
Alexandre
Magno
também
é
lembrado
e
recebe
o
epíteto
de
"capitão
mancebo",
pois
era
muito
jovem
ao
conquistar
o
mundo,
e
que
se
dizia
ser
filho
de
Júpiter.
Na
estrofe
77,
o
poeta
invoca
as
ninfas
do
Tejo
e
do
Mondego,
para
que
assegurem
uma
viagem
tranqüila
aos
navegantes,
e
descreve
nestes
versos
as
dificuldades
enfrentadas
por
ele
próprio,
nos
tempos
em
que
passou
no
mar
e
no
serviço
militar
na
África
e
no
Oriente.
Na
estrofe
79
compara
sua
vida
à
de
Cânace,
filha
de
Éolo,
deus
dos
ventos,
que
tinha
a
espada
em
uma
mão
e
a
pena
em
outra
para
escrever
uma
carta
de
despedida,
ao
ser
obrigada
a
suicidar-se.
O
Canto
VII
termina
exaltando
os
feitos
do
povo
luso
e
recomendando-o
às
Musas.
O
Canto
IX
relata
que
os
navegadores
de
Vasco
da
Gama
seguem
as
ninfas
até
uma
ilha
mágica,
num
episódio
semelhante,
segundo
Sallis
(2003,
p.193),
ao
de
Ácteon,
em
que
este
surpreende
Diana
nua
e
por
isto
é
castigado.
Camões
recria
a
lenda,
fazendo
com
que
os
navegantes
sejam
bem
recebidos
pelas
ninfas,
por
mérito
de
seus
feitos.
Este
canto
é
notável
pela
grande
quantidade
de
referencias
mitológicas.
O
Canto
X
é
dedicado
ao
retorno
a
Portugal
e
à
prestação
de
contas
da
aventura
marítima
ao
rei
D.
Manuel.
O
leitor
encontra
farta
descrição
de
acidentes
geográficos,
com
a
retomada
dos
feitos
dos
navegantes/argonautas.
Dentre
os
navegantes
está
Vasco
da
Gama,
sentado
ao
lado
de
Tétis,
a
rainha
das
águas,
saboreando
finas
iguarias
como
o
vinho
romano
de
Falerno
e
ambrosia,
um
dos
pratos
preferidos
dos
deuses
do
Olimpo.
A
musa
dos
poetas,
Calíope
(Abrão
e
Coscodai,
2000,
p.66),
inicia
o
relato
dos
heróis,
mas
antes
explica
que
"a
matéria
é
de
coturno,
e
não
de
soco"
(estrofe
8),
avisando
que
o
assunto
tratado
é
para
os
grandes
vôos
poéticos,
referindo-se
ao
uso
de
sapatos
especiais
por
parte
dos
atores
da
Antigüidade.
O
coturno
é
para
os
assuntos
trágicos
e
o
soco
para
os
cômicos,
segundo
Tringali
(1994
p.40).
História
e
Mitologia
diluem
as
fronteiras
em
cada
estrofe,
trazendo
para
a
glória
os
feitos
de
Duarte
Pacheco
Pereira,
D.Francisco
de
Almeida
e
seu
filho
D.
Lourenço
de
Almeida.
Na
estrofe
33
Camões
atinge
um
dos
momentos
mais
belos
do
poema,
exemplo
de
economia
e
precisão
discursiva,
ao
dizer
"fogo
no
coração,
água
nos
olhos",
sintetizando
a
dor
do
pai
ao
ver
o
filho
morto
e
a
fúria
da
vingança.
Na
estrofe
38
Camões
assinala
um
dos
temas
caros
ao
seu
fazer
poético:
o
desconcerto
do
mundo:
Ali,
cafres
selvagens
poderão
O
que
destros
imigos
não
poderam;
E
rudos
paus
tostados
sós
farão
O
que
arcos
e
pelouros
não
fizeram.
Ocultos
os
juízos
de
Deus
são;
As
gentes
vãs,
que
não
nos
entenderam,
Chamam-lhe
fado
mau,
fortuna
escura,
Sendo
só
Providência
de
Deus
pura.
Na
estrofe
75,
Tétis
fala
a
Vasco
da
Gama,
reproduzindo
o
conhecimento
científico
da
época,
com
origens
no
pensamento
de
Ptlomeu,
em
que
o
globo
terrestre
é
imóvel,
achando-se
no
centro
do
universo.
Ao
longo
de
seu
discurso,
Tétis
cita
alguns
heróis/navegantes
como
o
missionário
Gonçalo
da
Silveira,
Pero
da
Nhaia,
D.Pedro
de
Castelo
Branco
e
tantos
outros.
Na
estrofe
128
Camões
introduz
seu
próprio
naufrágio,
na
foz
do
rio
Mecon,
em
que
heroicamente
salva
o
poema
que
celebraria
as
glórias
portuguesas,
e
declara,
nos
últimos
versos,
a
confiança
no
engenho
de
sua
pena:
"Naquele
cuja
lira
sonorosa/
Será
mais
afamada
que
ditosa".
Fernão
de
Magalhães,
o
descobridor
do
Estreito
de
Magalhães,
no
extremo
sul
do
continente
americano,
é
lembrado:
Eis
aqui
as
novas
partes
do
Oriente
Que
vós
outros
agora
ao
mundo
dais,
Abrindo
a
porta
ao
vasto
mar
patente,
Que
com
tão
forte
peito
navegais.
Mas
é
também
razão
que,
no
Ponente,
Dum
lusitano
um
feito
inda
vejais,
Que,
de
seu
rei
mostrando-se
agravado,
Caminho
há
de
fazer
nunca
cuidado.
Na
estrofe
140,
uma
breve
menção
ao
Brasil:
Mas
cá
onde
mais
se
alarga,
ali
tereis
Parte
também,
co
pau
vermelho
nota;
De
Santa
Cruz
o
nome
lhe
poreis;
Descobri-la-á
a
primeira
vossa
frota.
Ao
longo
desta
costa,
que
tereis,
Irá
buscando
a
parte
mais
remota
O
Magalhães,
no
feito,
com
verdade
Português,
porém
não
na
lealdade.
Tétis
abençoa
a
partida
dos
heróis
rumo
a
Portugal,
afirmando
que
as
Musas
nunca
abandonarão
o
engenho
português.
A
partir
da
estrofe
145
o
poeta
retoma
a
voz
narrativa,
dirigindo-se
ao
leitor,
e,
na
estrofe
154,
explica
que
seu
poema
é
fruto
de
muito
estudo
com
engenho,
coisa
rara
de
se
encontrar.
Nas
últimas
estrofes
o
poeta
se
despede
do
rei
D.Manuel,
colocando-se
à
disposição
tanto
para
a
luta
quanto
para
a
poesia:
"Pera
servir-vos,
braço
às
armas
feito,/
Pera
cantar-vos,
mente
às
Musas
dada."
Os
últimos
versos
deste
celebrado
poema
épico
entrelaçam
História
e
Mitologia,
unindo
a
História
de
sua
gente
às
lembranças
mais
caras
ao
Renascimento.
Camões
faz
referencia
à
Medusa,
figura
horrível,
símbolo
do
pavor
que
paralisa
os
atos
humanos,
ao
herói
Aquiles,
aos
feitos
de
Alexandre,
o
Grande
e
às
conquistas
na
África.
Declara
que
será
um
digno
cantor
das
glórias
lusas,
igualando-se
a
Homero.
Lendo
Os
Lusíadas
somos
levados
a
pensar
que
Camões
foi
abençoado
não
só
pelas
Musas
como
por
Apolo,
o
deus
que
maneja
o
arco,
mas
também
a
lira,
tão
hábil
na
melodia
como
na
guerra.
Alguém
duvida?
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