>coluna............

 

Cartas do deserto 5

Marcelo Ariel

 

Cartas do deserto

" - Diga, homem enigmático, de quem gosta mais? De seu pai, de sua mãe, de sua irmã, de seu irmão?

-Não tenho pai, nem mãe, nem irmã, nem irmão.

-Amigos?

-Você usa de palavra cujo sentido até aqui desconheço.

-Pátria?

-Ignoro a que latitude se situa.

-Beleza?

- Deusa e imortal, de bom grado a amaria.

-O ouro?

-Odeio-o como você odeia a Deus.

-Mas de que gosta então, estrangeiro extraordinário?

-Das nuvens..as nuvens que passam...lá longe...lá longe...as maravilhosas nuvens!"

Charles Baudelaire em 'O spleen de Paris' Trad. Leda tenório da Mota Ed. Imago

Foto: Yuri Salles Kawanami

Poema-entrevista : Vicente : Franz : Cecim : Continuação

Vicente : Para ir a uma festa triste, que insiste em nos convidar para essa dança das falsas dualidades ( Claro-escuro)

Franz: Há essa beleza assustadora e estonteante do invisível e sua embriaguez de sonho..

Cecim : Como a sensação de perseguir uma miragem onírica, a vida

Vicente : Não se toca nessa palavra...Dentro da brincadeira do Samsara.

Franz : Para esse fantasma do mundo da palavra,

Cecim : Corrompendo a névoa do silêncio onde nada

Vicente : A casca

Ariel : Lendo

Cecim : Um livro-fantasma.

O : Um copo d' água no fundo do oceano.

 

gravura: Lívio Abramo

 

Ao ator esvaziado ou O spleen de Paris no Brasil.

Ok "isto", o teatro e suas camadas, não nos une e serve apenas para juntar uma ou duas afinidades secretas, advindas da miséria generalizada, e de um convívio com a esquizôfrenia "comum", compartilhada com o mito das coisas perdidas e a visão de um demônio na escada de Durer ( Na verdade um anjo arrasado e kamikase que desliga a negatividade e o niilismo às vezes por puro desdém). Não cometo a roubada de trocar a Estética do Hegel pela de Paul Singer, ou pelo Tao da física de Fritjoff Capra ( Prefiro Frank Capra). Aliás, esse teatro de merda que vai de Brasília e passa pela Vila Esperança ( Maior favela de Cubatão com 10 mil pessoas e fora do mapa), fazendo escalas na Colômbia e no Paraguay redimensionados, exclui o Bateau Ivre no sangue e, por isso, podemos desconfiar de qualquer grupo que possua conexões com essa ficção encenada ( Cidades,Países,Máfias,O império Evangélico,A Bolsa de Valores,Ongs,Partidos e etç..). Ficção que ignora o que estamos perdendo ( Ver Elizabeth Bishop) Enquanto sonhamos que não sonhamos com lacraias gigantes conversando no celular, orgasmos e etc.. O que nos leva inutilmente a Clarice Lispector e seus fios de satoris falsificados ou aos fios de fúria translúcida de Álvaro de Campos ( Ver um bloco de gelo pegando fogo e a pessoa sem pele com todos os orgão para fora se debatendo como um lençol vermelho no varal com um vento fortíssimo que depois vira uma brisa totalmente absurda) como essa platéia enorme e bestial programada pela máquina de não fazer-nada para erguer o muro etéreo das reclamações, entre um e outro copo de cerveja, um e outro campeonato de futebol, patrocinado pela maior rede de tv ( Ver atores ou não-atores rodando bolsinha no vídeo-curral) Enquanto nós as ficções-vida manipulamos um cubo de trevas dentro do não.

De uma entrevista de Charles Cosac :

A vida e a morte sempre dão contraste / Por isso a pós-modernidade é o que começou a acontecer há um segundo / mas a imagem fica fora de foco / quando acreditamos / em verdades absolutas / como essas que um mês depois percebemos / que não significam nada / Mas o universo não desiste / Não é Farnese?

Pérola aos poucos

A sair em dvd, em setembro ( Infelizmente apenas para locação) o bucólico 'Lavoura Arcaica' de Luiz Fernando Carvalho. Esta é uma versão de um livro do superestimado Raduan Nassar que vai muito além da simples ilustração, ao conferir ao livro um corpo de símbolos ( O filme se torna desse modo um irmão siâmes do livro e não seu apêndice). O romance de Nassar foi tecido como uma parábola que evoca o bíblico e se apóia no laico, mas não é a obra prima anunciada pela maioria dos críticos. Nassar foi inclusive alvo de um número dos cadernos de literatura do Instituto Moreira Salles. O estilo de Nassar é algo que fica entre Claude Simon e Céline, sem superá-los em momento algum...Mas Raduan Nassar é uma formiga digna e têm autocrítica por isso parou de escrever para criar bois e plantar tomates, algo superior à literatura e seu açougue metafísico. Nisso estou com ele...Porra, me esqueci do filme...Voltando ao fio de Ariadne, no filme a tragédia ganha o primeiro plano e se torna o centro de uma bela tessitura de imagens bucólicas, que fazem um contraponto para um ótimo enfoque violento e subversivo do desejo, onde ele apareçe como uma triste força da natureza. Lavoura Arcaica é belo como um poema de Mário Peixoto, que se não me engano, mora no inconsciente de Luiz Carvalho, à direita de Gláuber Rocha, um filme corajoso por optar pelo trabalho com a imagem como algo maior do que o elemento discursivo que até se faz presente (Toda a obra de Raduan é um discurso que toca de leve no niilismo dos adolescentes e é salvo pela densidade poética). É até possível fazermos uma leitura reducionista do filme e do livro a partir de Freud e seus "delírios cognitivos", mas essa seria uma leitura idiota. Tão idiota quanto a que o próprio Freud fez dos quadros de Da Vinci...Mas isso é outra estória.

 

O túnel no fim da luz

É quase inacreditável que o jornal GAZETA MERCANTIL tenha publicado em sua edição de sexta-feira,1 de julho de 2005, trechos do poema de Filipe Lazarini ( um aluno de Marketing da Universidade Mackenzie) do qual reproduzo a seguir alguns trechos :

" Som do silêncio

Silêncio, silêncio.../ Maldito silêncio!/ Silêncio/ Que arrebenta meus tímpanos!/ Que rasga/ Minha carne/ E mata/ Pouco a pouco/ Minha Alma./ Silêncio,silêncio.../ Maldito Silêncio!/ Que me amadurece/ Ah! Que dor de cabeça!/ Deve ser a falta de um grito!/ Silêncio../ Silêncio.../ Maldito Nada!/ Mas é isso que você pensa!/(..........)

Paradigmas, estereótipos,/ Normalidade./ Qual a essência da Banalidade?/ Não nesta medição descontínua de frutos inférteis da falta de criatividade./ Ande,desfrute,/ Siga seu caminho, experimente o inusitado/ E transforme essa porcaria! "

 

 

>>Topo

 

Autópsia poética de José Roberto Nascimento

O olhar curvo de Evandro Castro Sanguinetto

Entrevista com Leda Tenório da Motta com Marcelo Chagas

 

...

 

 

 

 

Get this widget!

 

 

C..divulgação...envie originais...quem somos...OPML...newsletter...expediente